domingo, abril 07, 2002








Um após outras as casas se levantam e tombam




Um após outras as
casas se levantam e tombam , desmoronam são ampliadas,
removidas, destruídas, ou em seu lugar irrompe um campo aberto, uma usina  ou um
atalho


 


Las
revoluciones, transformaciones sociales radicales y aceleradas hechas de
circunstancias, no simpre, o casi nunca, o quizás nunca son maduradas y
previstas cientificamente.  (Che
Guevara, “Pasajes de La Guerra Revolucionaria
”)


 


 


 


 


 







Vou viajar na próxima segunda-feira para o Rio, por uma estrada que decerto muito percorreram antes de mim, com uma visão de mundo que procura ser justa com pessoas e coisas, independe de seus status e conceitos normalizados. Não será apenas uma mudança geográfica: vou deixar a rede — vale dizer: os blogs, os e-mails e o icq. Para que entendam a dimensão disso para mim (e para que eu mesmo possa avalia-la), vou contar duas histórias, uma sobre viagem e outra sobre a internet. Algumas pessoas já conhecem pelo menos uma dessas histórias, mas vou contar assim mesmo.
A primeira, com relação a viagem (sem crase, não à viagem, a que vou fazer segunda-feira) diz respeito a mim mesmo.
Em 1988, eu trabalhava num grande jornal do interior de São Paulo, em São José dos Campos. Era registrado em carteira, pagava o sindicato, e tudo o mais. As pessoas gostavam de mim (um detalhe importante para alguém tímido e anti-social como eu), respeitavam meu trabalho —copydesk, eu trabalhava na editoria internacional, isto é, pegava os telex, selecionava as notícias do mundo, refazia o texto, titulava, e, se fosse o caso de chamada na primeira página, ia para a sala dos diagramadores. Mas também ajudava na Revisão, e no Past-Up, que era, no tempo em que se amarrava cachorro com lingüiça, a revisão da página já montada.
Muito bem. Até ali, eu trabalhava toda uma vida em jornais, assinava matérias, mas não tinha diploma, o famoso diploma de Comunicação. Mas, com absoluta certeza, era um jornalista, e modéstia inclusa, um bom jornalista. Mas começava a perseguição. Primeiro, os editores-chefes advogaram nossa causa. Jornalista se fazia em jornais, não em faculdade, diziam, até pelos seus próprios veículos. A pressão, todavia, foi muita e cada um começou a tratar de si, para não serem atingidos eles mesmos, providenciaram provisionamentos, enfim. É claro que quem entrou na idade de fazer faculdade uma década depois e pôde efetivamente faze-la (detalhe fundamental) e escolheu Comunicação, estes não tem rigorosamente culpa de nada da época, mas é no mínimo uma ironia que muitos hoje, ao ficarem desempregados, reclamem com tal veemência, dos “interesses corporativos”, quando na verdade o desemprego atual tem outras razões, dentre as quais a tecnológica, a saber, ligada às mesmas tecnologias de que fazem a apologia.
Sabem quanto na atual degola se deve, por exemplo, aos programas de correção ortográfica e gramatical? o quanto à política econômica, à pressão competitiva que induz a um feroz corte de gastos? à globalização, as metas impostas pelo FMI ao País, que acabam afetando as empresas? — e por aí vai. Interesse corporativo é outra coisa. Aquilo sim era interesse corporativo, isto é, ligado a um grupo organizado, onde podemos incluir os próprios sindicatos à sombra de peixes grandes de nossa sociedade, os donos de faculdades e cursinhos, os filhinhos de papai (e seus papais) que d outra forma jamais poderiam assumir com credibilidade funções de assessoria de imprensa nem trabalhar em jornais — jamais dos jornalistas profissionais, que nada tinham a ganhar e muito a perder com a nova lei da obrigatoriedade. Aliás, pelo nível dos jornais hoje comparado aos da época, vê-se que o jornalismo em si tinha muito a perder. E, aliás, este é exatamente o conteúdo da decisão da juíza que eliminou a exigência legal do diploma, um pouco tarde, infelizmente. Agora, a questão não é mais ter ou não ter diploma, agora a questão é que estão acabando os postos de trabalho, para quem tenha diploma ou não.
Então, eu parti. Na verdade, estava movido também por motivações amorosas, eu tinha uma amada na Europa, achei que ter também um emprego resolveria os dois problemas — a distância dela e a pressão no Brasil. Não foi bem assim, e, alguns meses depois que eu cheguei a Lisboa, estava na mais absoluta miséria e solidão. Tentei a sorte em Madrid, mas o que consegui com isso foi passar mais frio e fome, ao relento, no inverno que então começava. Alguém teve compaixão de mim e fui salvo. Alguém para quem ninguém jamais fez ou fará um post, que jamais será cantada em prosa e verso num blog, mas tinha uma misericórdia revolucionária. Porque hoje se usa e abusa da palavra Revolução: o Icq foi uma, os e-groups, o e-mail, o blog. Mas tecnologia, sozinha, não faz revolução, nunca fez. Pessoas sim, com ou sem tecnologia. No caso do blog, a revolução estaria no fato de que são essenciais como forma de expressão e reação do indivíduo em um mundo cada vez mais regido por interesses corporativos [...] e que nesse mundo a avaliação crítica se faz mais importante. Importante por quê? Aonde nos leva? No sentido de uma revolução, como querem tantos?
A melhor definição de revolução ainda é a de Che. A internet não se encaixa aqui, nem os blogs, o e-mail, o icq. E aqui chegamos ao segundo ponto: a internet foi uma das maiores invenções do ser humano. Por que então não se transformou, de fato, numa revolução do modo de vida das pessoas, de um estado de estagnação para uma vida melhor e mais livre e justa? Por causa do... ser humano. E aí eu me lembro da segunda história.
Em 2000, eu fazia parte de um grupo. Um dia, chegou um e-mail, que era, a rigor, um spam, falando sobre um menino de 7 anos que tinha uma doença rara e precisava de transfusões de sangue tipo tal para sobreviver e, quem sabe, ser curado. Uns do grupo simplesmente encaixaram a mensagem no conceito de spam e um moderador pagou geral. Entretanto, uma moça do grupo, residente no Espírito Santo (longe do menino, que estava no Rio), que trabalhava em telemarketing, contatou uma pá de gente, até enfim conseguir com um capitão do Exército que pusesse os homens a seu comando à disposição da família do menino. Isso aconteceu e, algumas transfusões depois, o menino estava melhor, fora de perigo. Hoje, vive uma vida cheia de cuidados por parte de seus pais, mas pode-se dizer que quase normal. Muito bem, o que o salvou? A tecnologia do e-mail? Naturalmente, quem o salvou foram, pela ordem: a moça do grupo, o capitão e os soldados. Mas, é claro, se não existisse e-mail, nunca ninguém saberia de seu problema. Quem me salvou na Europa? A pessoa que me abriu sua casa mesmo sem me conhecer. E, no caso, soube do caso mesmo sem qualquer tipo de tecnologia. Aliás, fico pensando se na época eu pudesse ter acesso a um grupo, a um blog, de, digamos, um café com internet (que então engatinhava). Será que eu teria sido salvo pela união de todos os blogueiros do mundo? É difícil responder, mas é interessante especular a respeito.
E agora, estou indo embora, basicamente por causa de não conseguir mais emprego, que, como sabemos, está complicado, e estaria mesmo se não houvesse a questão do diploma. A situação é desesperadora. Na verdade o Brasil ainda é um País privilegiado em termos de índice de desemprego, paradoxal como possa parecer. Em 1998, a taxa era de 9%, pequena em comparação, por exemplo, com a Espanha (mais de 20%) e no mesmo nível da Alemanha (cerca de 12%). O complicador no caso do Brasil, é que não temos uma política de bem-estar social e há uma cultura de se apegar a emprego, não a trabalho, não há a noção de que logo viveremos num mundo sem empregos, onde será preciso que se criem novas perspectivas para a sobrevivência.
Enquanto isso não chega de todo, vou para o Rio. Quem sabe retorne aos livros de bolso, aos serviços de ghost-writer, sei lá, talvez seja uma idéia até o retorno às redações — quem sabe volte às impressoras off-set, por que não? Será uma viagem para longe da rede, por um tempo. Preciso dele. O fato é que “Pc e modem”, que para muitos é o bastante para a tal da revolução, está longe de ser uma inclusão generalizada, não é todo mundo que tem acesso, apesar do politicamente correto discurso contra a exclusão digital. E, por exemplo, sobrevivi com um computador dois anos conectado por só conectava de madrugada e domingos. E, mesmo que houvesse essa igualdade, as tecnologias da informação, de fato, não tem uma influência relevante no aumento GERAL da produtividade e, quando tem, o que acontece não é bem-estar, mais horas de lazer ou melhores salários; ao contrário, quando há esse “progresso”, o primeiro sintoma é exatamente desemprego. Então, a revolução, ou seja, uma transformação social radical e acelerada, é efetivamente uma necessidade. Se os blogs e o Icq já fossem uma, não estaríamos com certeza nessa situação. Culpa da tecnologia? Naturalmente não. O problema é que, enquanto ficamos girando em torno de nós mesmos, não agimos no sentido de mudança. Assim, o blog e o icq, como e-mail, que poderiam efetivamente ter um uso revolucionário, tornam-se ao contrário, uma excelente ferramenta para a manutenção de todos os vícios do sistema e da sociedade, que começam exatamente no egocentrismo das pessoas. Em outras palavras, a tecnologia de ponta precisa de pessoas de ponta, fazendo coisas de ponta — o que normalmente implica em ser diferente dos demais, o que por desagradável, por desconfortável que seja, é essencial e o que hoje menos se vê. Todos fazem tudo igual.
Não faria mal algum se a teia-trilha de links, parte do caminho de qualquer pessoa que busque informação e diversão na internet, pudesse interagir também no sentido de mais solidariedade efetiva entre as pessoas nos maus momentos de cada uma. Utopia? Talvez, mas que seria de nós sem uma boa utopiazinha? Porque, e aqui eu acho que reside a chave de tudo, o que há na rede, além de “um Pc e um modem”, é uma total falta de compromisso, sem o que nada vai adiante na vida, muito especialmente as revoluções.
Foi um belo sábado.

Porque eu não podia mais passar outro final de semana em casa, preocupado com o que vai ser amanhã, com o desemprego e as contas, diante do computador, que tem os seus momentos de glória na vida da gente, mas, definitivamente, não os do final de semana.

De manhã, saí e fui comprar o jornal, o velho e bom jornal de papel, que possibilita o movimento das páginas, que tem sua própria memória, e sons, sua própria vida. As notícias mesmo eram só pretexto, oscilando entre a luz através das folhas das árvores:

Cinqüenta palestinos, a maioria no campo de refugiados da cidade de Jenin, morreram em ataques israelenses, supõe- se que tenha sido o dia mais violento desde que teve início esse novo ciclo dos conflitos no Oriente Médio, e o dia mais violento não causa mais espanto, é a banalização de toda sorte de violência; no Brasil, as opiniões se dividem com relação ao choro de Romário, como não poderia deixar de ser, alguns dos ex-grandes grandes e rebeldes acham que ele foi uma tentativa válida, outros crêem que ele se rebaixou, a tônica é mais ou menos que todos estão com ele em sua fome de Copa e no tocante a ele merecer, mas não pediriam desculpas a ninguém; Roseana e Garotinho deixaram os Governos do Maranhão e do Rio, mesmo sem maiores perspectivas sequer de segundo turno, depois dos incidentes com a Polícia Federal, a filha de Sarney não deve alimentar mais esperanças que as decorrentes da vaidade humana — eu fico pensando que deve haver mesmo grandes vantagens em se disputar uma eleição assim, sem qualquer chance, para deixarem seus cargos, mas, por outro lado, depois que o Bambam foi o mais votado no Big Brother, tudo pode acontecer quando deixam a decisão para o voto dos brasileiros. Aqui no Espírito Santo foi dia de preparativos para a festa da Penha. Não gosto dos fogos, mas no mais é legal ver as pessoas devotadas a algo que não faça parte dessa vida, faz sentido...

Mas quando larguei o jornal para dar pão para os patos do lago no Parque Moscoso que eu fiquei pensando na Conexão Blogger do JB, justamente algo que eu não acabara de ler. Fiquei lembrando em como o Sistema se apropriou dos anos sessenta, da questão dos direitos civis, do rock, dos temas até então underground. O Sistema se apropria de tudo. Agora os blogs, amanhã, sabe-se lá... Mais cedo ou mais tarde as coisas perdem sua vitalidade original e se acinzentam, se ordinarizam. Menos a natureza. Fiquei um tempão olhando os patos, ouvindo os pombos, vendo as ramagens ao vento, sentido o ar ainda fresco no rosto (Deus, quando vai terminar esse calor?). O calor se deslocava com o canto dos pardais.

E porque não espero mais um milagre, é como se a Natureza me dissesse ser ela própria um milagre, e, assim, tudo eu posso esperar. Então, cheguei em casa, descansei, vi à tarde o sol e a chuva rápida da janela e agora este belo sábado vai terminar num passeio pela orla junto às ondas semi-ouvidas, em meio aos transeuntes não percebidos. Vai ter um show de uma banda negra, vinda da África do Sul, mas com jeito de Jamaica, de mulheres, negras lindas. E afinal tudo terminará bem, porque a Dor que se recusa a apenas se dissipar na fuga, enfim, acaba se transmudando em celebração, e a vida será de novo vida, como antes.

sábado, abril 06, 2002

The Revolution Will be Webified. Este é o título da entrevista concedida por Mr. Evan Williams, criador do Blogger, para a revista Fast Company, uma das mais prestigiadas publicações do mundo sobre economia digital. Toda esta última edição, aliás, é um verdadeiro elogio aos blogs: são cinco grandes matérias tratando os blogs como eles merecem: com seriedade. As publicações brasileiras bem que poderiam se espelhar na Fast Company, ao invés de ainda tratar blogs como diários de adolescentes. Já está mais do que na hora.LanceiroLivre




Antes de as publicações brasileiras deixarem de tratar os blogs como diários de adolescentes, seria preciso que os que escrevem blogs no Brasil os tratassem com mais seriedade. Edgar A. Poe disse que há dois tipos de livros: os que nos dão matéria para reflexão pelo que dizem; e os que nos dão matéria de reflexão pelo que poderiam, para nós, ter dito. E disse que os jornalistas são como deuses que se dilaceram em mil pedaços todos os dias, mas a cada manhã acordam saudáveis. Isso escreveu em Baltimore. Não sei como é ou era por lá em sua época. Sei como ele morreu, cheio de ópio e completamente sozinho, o que me levam a crer que não era muito diferente daqui, hoje. E era um grande jornalista, o maior de seu tempo, como foi o grande poeta que foi. Teria feito blogs incríveis, se vivesse hoje.

Entretanto, temos um Brasil que é dominado há décadas pelas mesmíssimas famílias, que repartem esse poder regionalmente sob o olhar condescendente de nossos grandes intelectuais, que, aliás, participam do processo. Então, surge a internet e com ela a perspectiva de isso mudar, como de resto está mudando no mundo. Fora algum exagero, os blogs podem ser sem dúvida, de alguma forma, revolucionários. De fato, a aposta que fizeram nos EUA aquele editor do NYTimes e aquele que aposta nos blogs (daqui a cinco anos as notícias estarão mais discutidas na mídia oficial ou nas páginas pessoais?) está em pleno vigor, e caberá ao Google, de um modo simples decidir: far-se-á a pesquisa por palavra-chave de assuntos então no momento. Se vier mais NYTimes, ganha o primeiro; o outro ganha se nos resultados vier mais dos segundos.

Isso não teria sentido no Brasil, pelo menos hoje não teria. A mídia é repartida entre os poderes e os intelectuais que antes participavam apenas das redações, hoje são cúmplices desse processo diretamente da internet. Pegue um site como o No, uma unanimidade em termos de Notícia e Opinião na rede. O que se vê? Exatamente os mesmos colunistas da mídia tradicional. Mais que isso, quando um deles se dispõe a falar dos blogs, o faz com tanto tato, contornando melindres, com tanto respeito pelos blogueiros "oficiais", que dá pena, pena de nós, de nossa distância de alguma perspectiva de igualdade ao menos digital, que tantos de nós sonhamos. São sempre os mesmos os blogueiros citados, como são sempre os mesmos colunistas, como é sempre a mesma mídia. Porque os nossos blogs, como regra pelo menos (graças a Deus pelas exceções) têm sim o espírito de diários de adolescentes - egoísta, portanto). E terminam por ser não uma revolução, mas outra face do elitismo que reparte a mídia, e agora a rede, entre uns poucos. Peguem uma reportagem qualquer sobre os blogs nos EUA, pegue um blog como o Metafilter (aí é até covardia, porque não temos blogs coletivos de notícias como ele, com mais de 10.000 membros, imagina), pegue um blog como o da Anna ou a ótima página pessoal do próprio Evan, para ficar nele, o criador do Blogger (do programa), não da idéia de uma pessoal - ainda que esteja dentro de um site da mídia tradicional, como alguns jornais ingleses - com referências, links etc, se comunicando entre si.

Agora faça uma colheita igual por aqui. Não há simplesmente como fazer a comparação, a diferença é um oceano. Quando de 11 de setembro, havia blogs que questionavam a política externa de Bush, em pleno frigir dos ovos! Se a mídia tradicional mantinha aquela velha abordagem maniqueísta, vinha dos blogs uma nova visão de mundo. Mas, por aqui, o blog tal continua falando das coisas que seu dono vai fazer no final de semana, enquanto o Y comenta a maravilha que é o seu equipamento tal, e isso, no fundo, não seria um problema SE HOUVESSE algo um pouco mais além e se os poucos que tentam fazer algo mais além não fossem alijados sumariamente, como um jornalista sem diploma hoje ainda é, mesmo depois da decisão da juíza após a qual caiu a obrigatoriedade do diploma.

Infelizmente, esse verdadeiro elogio aos blogs, que é enaltecido, se fosse por aqui, iria ficar, como aliás fica, no círculo vicioso de uma internet que apenas consegue reproduzir os males do chamado mundo real, na desigualdade de oportunidades, na discriminação, no elogio da mediocridade, na obrigatoriedade do diploma - que nada mais é que um retrato da nossa cultura acadêmica, que por sua vez é o que se sabe, uma universidade falida, que deseduca, bem de acordo com a ideologia vigente, onde se finge que estuda para quem finge que se preocupa em educar mas se limita a ser orientador da monografia de graduação.

O silêncio de quem silencia pode ser sábio ou simplesmente falta mesmo do que dizer. Pode ser cauteloso, equilibrado, ou covarde. Depende. Prefiro crer como Jorge Luis Borges que podemos deixar a vida como está para ver como é que fica ou com paciência e trabalho conseguir realizar as mudanças necessárias na sua vida e no mundo à sua volta. Por exemplo, houve até dias atrás no próprio No. uma doce coluna sobre tecnologia - telemática, informática etc. do Sílvio Meira que era um consolo a gente ler: era um blog, um blog especializado em tecnologia, mas que mantinha a visão de que a tecnologia sozinha não socorre, é preciso que as pessoas ajam de acordo com as inovações, que sejam elas mesmas revolucionárias antes, para que a tecnologia também o possa ser. Há o Dvorak, , que teve a coragem de apontar, na época, a arrogância dos yuppies do dinheiro fácil que faliram com a quebra da Nasdaq - graças a Deus-, deixando os restaurantes da moda de novo acolhedores para os casais românticos. Há o
Alfarrábio, que é saltério, livro, e cumpre direitinho seu papel, com uma visão equilibrada e inteligente, sem contar a beleza da página, e isso diretamente de um blog blogspot.

Ou seja, se o futuro era melhor no passado, agora, no presente, não se pode dizer que estejamos fadados a não ter esperança, há sim movimentos contra a corrente, inclusive nos blogs, são blogs amigos, sem serem da nossa"panela, que suavizam nossas vidas discretamente; nem ausentes, nem presentes demais. Não são arrogantes como os que se acham parte de uma revolucao e nem saiu dos cueiros em termos de jornalismo, ou de literatura, ou de seja lá o que for, mas se acham bons de mais pra sairem de seus pedestais e terem de responder um email que lhes incomoda, responder um e-mail, princípio básico de um revolucao na comunicação on-line, feita por pessoas, não por tecnologias. É possível por tudo isso acreditar quando Meira diz que é possível que a informática, nestes 50 anos de sua efetiva utilização pela sociedade, termine enfim por trazer a cada vez mais gente, desenvolvimento além do progresso, para que o futuro seja, pelo menos, melhor do que o passado. Nesse contexto, os blogs serão efetivamente revolucionários, tanto que possivelmente já existirão novas maneiras de estar na rede ainda mais revolucionárias que os blogs, pelo que terão cumprido enfim o seu papel. Por agora, entretanto, é apenas uma esperança. Mas é a última que morre, não é mesmo?