<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' version='2.0'><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-3082313</atom:id><lastBuildDate>Sat, 21 Feb 2009 13:01:45 +0000</lastBuildDate><title>Dias</title><description>Este blog é feito de textos de livros que vou escrevendo e alguns pensamentos que tenho nos intervalos: alguns são legais, outros meio bobos, alguns profundos, outros nem tanto, uns simpáticos, às vezes o inverso; enfim, nada além do que sou
&lt;A HREF="http://www.rocharics.blogspot.com"&gt;Escritos&lt;/A&gt;
&lt;A HREF="http://br.geocities.com/ricardrbr/Quem_eh_Ricardo.html"&gt;Acerca&lt;/A&gt;
&lt;A HREF="http://www.rocharicr.blogspot.com"&gt;Outrora&lt;/A&gt;

</description><link>http://rocharias.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Ricardo)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>53</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3082313.post-90806255</guid><pubDate>Sun, 16 Mar 2003 15:51:00 +0000</pubDate><atom:updated>2003-03-16T15:35:38.000-08:00</atom:updated><title></title><description>Na verdade, as cidades da Europa, pensei enquanto Michel arrematava sua confecção, girando o cilídrico de haxixe na boca, cada uma oferecia seu clímax próprio naquele continente dito decadente, acusado de xenofobia, um passado colonialista e pretensões antropológicas, mas sempre fascinante aos olhos do estrangeiro, como o salão de uma duquesa do século passado, regurgitando de gente espiritual sequiosa do convívio que impunha nobreza às pessoas, qual lápides de sepultura - magnificente frivolidade, tentação a que não resistiram nem mesmo os grandes de uma arte refratária ao tempo, perdendo-se no sarau como se não houvesse o juízo das gerações futuras, como se fossem meros artistas e da estética de fatuidades. Eu não resistira. Agora procurava desesperadamente me  despojar, ignorar novas tentações: apesar de desempregado, eu fora convidado por uma linda secretária do Palácio Foz para um coquetel que estava sendo oferecido naquele exato momento para os jornalistas brasileiros em Lisboa. Eu precisava regozijar por partilhar da companhia subterrânea de outros estrageiros na península, perdidos na nnoite distante de borbulhantes confraternizações elitistas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo, o entroncado moreno do Porto, estava falando, em inglês, por onde, com exceções, corria nossa conversa, quando voltei de meu devaneio, alguma coisa sobre mulheres... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O sexo e o sentimento são para elas a mesma coisa, normalmente, ou duas coisas tão ligadas que terminam por se tornar uma só. Via de regra, quando bebem do prazer, bebem do amor. O homem não associa assim uma coisa à outra, ainda que muito ame. Admitimos que a imagem da amada possa se apagar por momentos e o coração transmite outras imagens, mesmo pulsando em si o pronto ressurgimento da amada."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Donde o espírito possessivo toma conta delas" - Daniel, o italiano que vivia em Barcelona, fez uma pasusa e iria concluir; mas Paulo, como que desabafando um caso recente, concluiu ele próprio: "Como uma possessão mesmo, é o demônio particular das mulheres". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A mulher é que é um demônio" - contrapôs Daniel. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Engaño, pibe. Una mujer no pasa desapercebida." - a ironia musicava o castelhano de Michel. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo, por sua vez, carregava sua melancolia de um forte sotaque lusitano: "Su codigo es mistico". Suas feiçoes acompanharam as palavras, levando à confissão de uma mágoa nas entrelinhas. O silêncio dos outros estabeleceu compreensão que o permitiu continuar desabafando em queixa velada seu romance abalado pelo ciúme e não reerguido pelo perdão: "Para elas, a amante eventual é definitivamente traição, uma prova inequívoca de desamor quando na verdade provam apenas uma tendência polígama primordial. Aventuras não significam nada..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não significam nada para nós"- Daniel completou, acrescentando: "O caso é que aventuras para elas, siginificam sempre alguma coisa e as pessoas não exercitam esse maravilhoso som de julgar segundo critérios que não sejam necessariamente os seus."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soava engraçado quatro jovens estrangeiros nas ruas movimentadas da "movida" madrilena, levados pelos primeiros toques do cânhamo no cérerbro, a semelhantes divagações. Enquanto Paulo se perdia na  imagem motivadora de seu arrazoamento, Daniel - depois de receber de Michel o "charro" e fazer nele a "gravata" de saliva para retardar a queima - concordou que: "Os homens, mesmo privilegiando o lugar da amada, não resistem à possibilidade de terem outras,. outros lugares. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Y he aqui una mujer le sale al encuentro..." - sorriu Michel. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passaram três mocas no sentido contrário, provocantes: Ele virou-se e as seguiu no decurso de alguns passos: "Mujeres, vosatras las chicas, no valeis nada, no sois nada, no teneis sentimientos, ni corazón, ni entrañas - no quereis ninguna salir conmigo?" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto Michel, voltando, passava os braços nos meus ombros e nos de Daniel, dei minha contribuição para o assunto... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;A HREF="mailto:ricardrbr@yahoo.com.br"&gt;Ricardo_de_Almeida_Rocha&lt;/A&gt;&lt;br /&gt;        &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3082313-90806255?l=rocharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://rocharias.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#90806255</link><author>noreply@blogger.com (Ricardo)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3082313.post-90776230</guid><pubDate>Sat, 15 Mar 2003 21:10:00 +0000</pubDate><atom:updated>2003-03-15T13:11:21.000-08:00</atom:updated><title></title><description>Ouço um trem. Uma buzina. Outra. Vozes. Passam pelas calçadas. Só quem, sendo uma alma morbidamente susceptível, sofreu a miséria, saberá o que seja a pressão a que se é submetido quando não se faz parte do jogo, as humilhações dolorosas e as alegrias potencializadas de um subterrrâneo. Eu, porém, sou no fundo absurdamente normal, e de dura cerviz. Mas sofro, de um jeito ou de outro. Só quem vivencia realidade semelhante poderá imaginar o quanto eu sofro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era assim após o filme em Madrid. Pelo contrário. Estava então sereno, cheio de esperança. Encaminhei-me, com postura e respiração de peito, para um ronda que me deixasse na zona das sopas e vinho, pronto a entrar na taverna mais barata, entra a Porta do Sol e a Praça Maior. Passando por uma banca de jornais, bati o olho num postal sem foto, apenas uma plastficação negra de cartão, espelhando a lâmpada do poste. "Noche. Madrid". Sorri. Comprei. Virei-me e devo ter dado uns cinco passos. Um rapaz me pediu um cigarro. Depois de acendê-lo, propôs-me um chocolate. Dialeto dos fumadores de THC. Maconha, cabonha, ganza, erva, hashis, haxixe, kaia, liamba, joint, pito, porro, charro, chá, chamón - o ficionado sabe que são pinturas diferentes de uma mesma porta, para um mesmno lugar, independe o efeito do nome. "Chocolate", agora: o carimbo do passaporte para a fronteira. Se eu deveria ou não ultrapassá-la, er aum outro, velho e complexo problema no qual eu podia me dar ao luxo de me deter então - o mundo passa, e seus mistérios.   O que eu loucamente necessitava era não de droga mas de interlocutor, e a erva sempre se prontificava, sem as cobranças do amigo e - principalmente - da amiga humanos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que lhe dei o dinheiro da minha parte, o rapaz foi ter com um vulto na transversal da avenida onde estávamos, do outro lado da rua, sem dizer palavra. Voltou e fomos andando enquanto ele preparava o cigarro. O rapaz, Michel, suíço, pronunciava o  espanhol tão corretamente quanto Sting no filme - ele pórem era real como minha alma dilacerada, inclusive cantando o "lhú" de lluvia (começavaa chuviscar) e o "lhê"de calle (convidara-me para ir tomar a sopa num clube noturno e agora me explicava o caminho), diferentemente dos latinos americanos, que davam aos dos eles som de jota. No percurso, pelo cheiro, juntaram-se a no's um italiano e um português. Eu ouvira falar, em Paris, Roma e Lisboa, acerca de Amsterdan, auge dessa europa paralela, a verdadeiramente una, subterrânea; saberia depois o quanto fazia parte do esquema vigente, mas agora estava iludido. Desde o Brasil pensando em mim sobre um bicicleta indo na direção de Den Haag Utrecht, contra o vento aberto no percurso de casinhas ajardinadas e tetos graciosos, à semelhança das casas de boneca. Possivelmente, nunca iria conhece-lo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;A HREF="mailto:ricardrbr@yahoo.com.br"&gt;Ricardo_de_Almeida_Rocha&lt;/A&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3082313-90776230?l=rocharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://rocharias.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#90776230</link><author>noreply@blogger.com (Ricardo)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3082313.post-90711217</guid><pubDate>Fri, 14 Mar 2003 14:54:00 +0000</pubDate><atom:updated>2003-03-14T06:54:47.763-08:00</atom:updated><title></title><description>&lt;html&gt;&lt;br /&gt;&lt;head&gt;&lt;br /&gt;&lt;meta http-equiv="Content-Type" content="text/html; charset=windows-1252"&gt;&lt;br /&gt;&lt;meta name="GENERATOR" content="Microsoft FrontPage 4.0"&gt;&lt;br /&gt;&lt;meta name="ProgId" content="FrontPage.Editor.Document"&gt;&lt;br /&gt;&lt;title&gt;Meses depois&lt;/title&gt;&lt;br /&gt;&lt;/head&gt;&lt;br /&gt;&lt;body&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="4"&gt;Meses depois - agora há poucos minutos de quando escrevo esta&lt;br /&gt;parte da narrativa -, quando voltasse a ver o filme em Lisboa, numa sessão&lt;br /&gt;reservada a jornalistas e cineastas para mostra dos processos inovadores da Alta&lt;br /&gt;Definição utilizados pela RAI, por um pequeno detalhe - o espaço entre as&lt;br /&gt;casas, de que Francesca não gostava por achá-los grandes demais, agente do&lt;br /&gt;afastamento das pessoas da cidade -, eu pressentiria Trieste, e confirmaria mais&lt;br /&gt;tarde a intuição. Nessa sessão futura, em que os cuidados técnicos esmerados&lt;br /&gt;subtraíram ao filme aquele halo de magia, substituindo-o por um tipo de&lt;br /&gt;video-tape grosseiro, apesar de tecnologicamente de ponta - algo como trocar a&lt;br /&gt;pintura de uma mestre pela foto da paisagem que o inspirou -, nessa outra&lt;br /&gt;sessão em Lisboa, quando Sting falava com sua própria voz o inglês original&lt;br /&gt;do filme, experimentei angústia palatal - pelo contexto terminal em que me&lt;br /&gt;encontro agora, pelos dolorosos resquícios blandínicos na alma e porque, já&lt;br /&gt;conhecendo uma uma ficção dramática e tendo aceito as horas que dentro dela&lt;br /&gt;passamos como um tempo vicário onde a ilusão assume o papel da realidade com o&lt;br /&gt;nosso aval, quando voltamos a nos deparar com essa obra, após termos visto os&lt;br /&gt;atores recebendo prêmios mundanos, em entrevistas ególatras, ou simplesmente&lt;br /&gt;em outros papéis, ou na futilidade de vidas sem qualquer papel no mundo, ao&lt;br /&gt;revermos essa ficção, depois que passou pela lisonja ou escárnio da crítica&lt;br /&gt;e pelo julgamento do tempo, e, sobretudo, quando somos forçados a nos ater a&lt;br /&gt;processos técnicos, - a narrativa perde a dimensão de vida que virginalmente&lt;br /&gt;lhe concedeu nosso espírito numa primeira leitura, detemo-nos nos detalhes,&lt;br /&gt;tudo se torna por demais evidente como fruto do engenho de uma humanidade vã,&lt;br /&gt;verossímil demais para ser verdadeiro. Alguém que nunca viu o mar e se delicia&lt;br /&gt;ao imaginá-lo pode não conseguir gozar os seus prazeres quando chega junto à&lt;br /&gt;rebentação. A masturbação de um adolescente é mais gratificante muitas&lt;br /&gt;vezes que as relações que manterá depois de adulto.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/body&gt;&lt;br /&gt;&lt;/html&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;A HREF="mailto:ricardrbr@yahoo.com.br"&gt;Ricardo_de_Almeida_Rocha&lt;/A&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3082313-90711217?l=rocharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://rocharias.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#90711217</link><author>noreply@blogger.com (Ricardo)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3082313.post-90646539</guid><pubDate>Thu, 13 Mar 2003 14:12:00 +0000</pubDate><atom:updated>2003-03-13T13:48:20.000-08:00</atom:updated><title></title><description>Apanhei a linha 7 até Pueblo Nuevo e a 5 até Ventas, dirigindo-me para a Estação de Callao, os cinemas, as sopas, as madrugadas imprevisíveis. Entrei após ver o cartaz de "Julia y Julia". A inverossimilhança de Sting falando um castelhano tão perfeito com Kathleen Turner, pela dublagem, fez da sessão um tipo estranho de terapia e saí da sala sereno, bem disposto. Não me ocorreu qualquer relação entre a bizarra película e Blandine, o que deve ter colaborado para minha tranqüilidade. E, no entanto, havia Trieste, aquela fronteira de barcos e aves, castelos e museus, e aventureiros ali se transformaram em meros diplomatas. Cidade que eu não conhecia e estava tão ligada a meu passado e destino. Se estabelecesse analogias (o que devo ter feito na intimidade misteriosa do subconsciente) entre Blandine e Kathleen, entre Sting e eu; se relacionasse aqueles cenários com os arredores da Della Sorgente, as ruas onde Blandine vivia seu cotidiano e caminhava ao sol, e aquele mar com o mar que devia extasiá-la todos os dias, talvez então a angústia da saudade e a ansiedade do reencontro não em deixasse concentrar em "Julia", nas fantasias em estado bruto, alheias à razão e ao sentimento, que ela produzia. Kathleen seria Blandine, seu amor por Sting seria o nosso abortado romance. Mas não ocorreu qualquer ligação: não evoquei Trieste, não lembrei Blandine. E saí ileso. Mais que isso, quase feliz, graças a esses mecanismos mentais que nos protegem de nós mesmos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      &lt;br /&gt;      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;A HREF="mailto:ricardrbr@yahoo.com.br"&gt;Ricardo_de_Almeida_Rocha&lt;/A&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3082313-90646539?l=rocharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://rocharias.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#90646539</link><author>noreply@blogger.com (Ricardo)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3082313.post-90567434</guid><pubDate>Wed, 12 Mar 2003 04:42:00 +0000</pubDate><atom:updated>2003-03-12T04:15:43.000-08:00</atom:updated><title></title><description>&lt;i&gt;Madrid. Passeei pelos labirínticos subterrâneos do trem metropolitano, contemplando a fauna de contrastes, dela eu era parte. Cheguei ao outro lado da cidade no princípio da noite, no brotar da multidão. Arrefecido o horário, restou a oferta de corpos; o burburinho nos bares; os adolescentes discutindo qualidade e preço. As jovens espanholas se exibem com&lt;br /&gt;elegância e graça. Namorados se entregam a um romantismo anacrônico.&lt;br /&gt;Empresários de simpatia vazia e exuberante lançam máximas ao mundo após o&lt;br /&gt;expediente - &lt;i&gt;si llevas dinero, te vas de copas... &lt;/i&gt;Alegria e fuga em dor&lt;br /&gt;menor. Pedi uma informação a um rapaz, não entendi sua resposta, que a&lt;br /&gt;escrevesse para mim, por favor. Adolescentes iguais em todo o mundo,&lt;br /&gt;desembaraçados perante computadores mas incapazes de usar uma caneta, incapazes&lt;br /&gt;de resistir, satisfeitos com o seu tempo, com a&amp;nbsp; arte da face subterrânea&lt;br /&gt;que se mescla com a da alta-sociedade. O que estou fazendo aqui? Grupos&lt;br /&gt;marginais nas esquinas se integravam aos lugares da moda, como os ventos se&lt;br /&gt;agrupam antes de serem distribuídos. Apertos de mão em código, socos de&lt;br /&gt;camaradagem e beijinhos descompromissados, alíneas de parágrafos inacabados.&lt;br /&gt;Ao se dispersar um grupo, o passador deixa um pedaço gratuito como prova da&lt;br /&gt;amizade débil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Eu agora sentado no degrau de uma loja fechada, um policial olha fixamente o caderno que eu trazia no bolso da jaqueta e havia tirado para descrever a noite madrilena. Sua presença me incomodou e tomei novo a direção do metrô. Pouco depois, estava na avenida de Daroca,&lt;br /&gt;ventava fortemente. De Vicalvaro até a entrada descampada da estação de Las&lt;br /&gt;Musas, procurei definir o trajeto de minha peregrinação de notívago&lt;br /&gt;passageiro do mundo que nasce quando morre o diurno e suas retidões.&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;font face="Book Antiqua"&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;A HREF="mailto:ricardrbr@yahoo.com.br"&gt;Ricardo_de_Almeida_Rocha&lt;/A&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3082313-90567434?l=rocharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://rocharias.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#90567434</link><author>noreply@blogger.com (Ricardo)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3082313.post-90518263</guid><pubDate>Tue, 11 Mar 2003 12:44:00 +0000</pubDate><atom:updated>2003-03-11T04:44:55.873-08:00</atom:updated><title></title><description>&lt;p style="line-height: 150%; text-indent: 20"&gt;&lt;font face="Arial"&gt;Dúvidas e&lt;br /&gt;apreensões impediam a entrada da luz e, nessa treva, eu escutava as&lt;br /&gt;contrações da alma ofegante em chamas no purgatório onde anjos mortos&lt;br /&gt;cavalgavam com tochas ao sol. E, por causa da treva, eu não captava a essência&lt;br /&gt;não histórica do tema. Se Maio foi referência em paris, 1968 tivera outras, a&lt;br /&gt;década, os séculos tiveram outras. Não só nas explosões coletivas mas&lt;br /&gt;principalmente nos suspiros. Outras referencias: que significavam não tratando&lt;br /&gt;da Humanidade mas para cada ser humano em separado?o Vietnã, a Primavera de&lt;br /&gt;Praga, Che, Cuba, os Beatles os Kennedy, o muro de Berlim, Argélia, os&lt;br /&gt;militares no Brasil, , Mao,&amp;nbsp; Contrane,&amp;nbsp; Luther King,&amp;nbsp; Profumo,&lt;br /&gt;Master &amp;amp; Johnson, Brejnev, até&amp;nbsp; quasares supoe vida, revolução, e de&lt;br /&gt;certo modo uma coisa é a outra, e por trás de cada nome milhões de&lt;br /&gt;existências, revolucionadas ou conformadas. Se houve o Maio francês, o vento&lt;br /&gt;já soprava, desde sempre meu amigo, as respostas.&amp;nbsp; &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="line-height: 150%; text-indent: 20"&gt;&lt;font face="Arial"&gt;Saí sem&lt;br /&gt;destino pelas ruas de Madrid. &lt;/font&gt;&lt;font face="Arial"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;A HREF="mailto:ricardrbr@yahoo.com.br"&gt;Ricardo_de_Almeida_Rocha&lt;/A&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3082313-90518263?l=rocharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://rocharias.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#90518263</link><author>noreply@blogger.com (Ricardo)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3082313.post-90466756</guid><pubDate>Mon, 10 Mar 2003 17:37:00 +0000</pubDate><atom:updated>2003-03-10T09:37:24.326-08:00</atom:updated><title></title><description>&lt;html&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;head&gt;&lt;br /&gt;&lt;meta http-equiv="Content-Language" content="pt-br"&gt;&lt;br /&gt;&lt;meta http-equiv="Content-Type" content="text/html; charset=windows-1252"&gt;&lt;br /&gt;&lt;meta name="GENERATOR" content="Microsoft FrontPage 4.0"&gt;&lt;br /&gt;&lt;meta name="ProgId" content="FrontPage.Editor.Document"&gt;&lt;br /&gt;&lt;title&gt;Nova pagina 1&lt;/title&gt;&lt;br /&gt;&lt;/head&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;body&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;font face="Lucida Sans Typewriter"&gt;Um cartaz entrou pela janela que via&lt;br /&gt;Madrid: &lt;i&gt;Ahora es tu oportunidad. &amp;quot;Vale&amp;quot;, &lt;/i&gt;pensei, evocando não&lt;br /&gt;o &amp;quot;vale&amp;quot;-adeus do final de &lt;b&gt;Dom Quixote &lt;/b&gt;(embora oportunidades&lt;br /&gt;perdidas pudessem ter esse significado), mas o &amp;quot;vale&amp;quot;-amém dos jovens&lt;br /&gt;obreiros evangélicos madrileños, tentando doutrinar dograditos na exposição&lt;br /&gt;dos livreiros junto ao&amp;nbsp; parque, na rua íngreme próxima à estação. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;font face="Lucida Sans Typewriter"&gt;Se na imagem reticulada a variação&lt;br /&gt;cromática define na rede a imagem da foto embora as próprias reticulas não&lt;br /&gt;sejam perceptíveis a olho nu, na alma humana a personalidade se imprime&lt;br /&gt;primariamente pela índole e depois pela educação e o arbítrio ainda que&lt;br /&gt;geralmente não se lhe identifiquem vestígios, sendo tudo atribuído a um ente&lt;br /&gt;imaginário, criado pelos outros, que assume a pessoa toda, como se nela se&lt;br /&gt;consistisse. A lupa da análise psicológica discirna talvez velados motivos&lt;br /&gt;particulares, causas remotas e sem mais significado no presente, sem outras&lt;br /&gt;finalidades além da retórica. Eu precisava nascer de novo, sair de minha&lt;br /&gt;imagem pelo prisma alheio, tomar o destino a mim mesmo. Que eu e meu espírito&lt;br /&gt;houvessem compaixão de mim e me conferissem a revolução interior chamada&lt;br /&gt;mudança de vida, mais poderosa que um milhão de maios. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;font face="Lucida Sans Typewriter"&gt;Mas eu hesitava. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;font face="Lucida Sans Typewriter"&gt;&amp;nbsp;&lt;/font&gt;&lt;font face="Lucida Sans Typewriter"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/body&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/html&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;A HREF="mailto:ricardrbr@yahoo.com.br"&gt;Ricardo_de_Almeida_Rocha&lt;/A&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3082313-90466756?l=rocharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://rocharias.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#90466756</link><author>noreply@blogger.com (Ricardo)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3082313.post-90423135</guid><pubDate>Sun, 09 Mar 2003 23:45:00 +0000</pubDate><atom:updated>2003-03-09T15:48:00.000-08:00</atom:updated><title></title><description>Os tiçoes de tabaco encheram o quarto daquele desagradável odor característico de cinzeiros. O destino do que se escreve depende de alguma irreversivilidade alheia aos valores e humores dos que podem permitir a pulbicação?  A matéria sobre o Maio, decidi, com ela me despediria do jornalismo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;A HREF="mailto:ricardrbr@yahoo.com.br"&gt;Ricardo_de_Almeida_Rocha&lt;/A&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3082313-90423135?l=rocharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://rocharias.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#90423135</link><author>noreply@blogger.com (Ricardo)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3082313.post-90361496</guid><pubDate>Sat, 08 Mar 2003 17:41:00 +0000</pubDate><atom:updated>2003-03-08T09:41:57.450-08:00</atom:updated><title></title><description>O jornal informava sobre a tensão crescente no avião, mas eu acabara de ouvir que os sequestradores havia muito conseguiram escapar. Os reféns, libertados em Argel, concediam entrevistas. E, ao som da edição extra do noticiário, um jornalista, cujo sonho pelo muito sofrer no exílio era ser escritor, esse rapaz eu questionava a função do jornalismo atual. Nas redações se exigia um diploma universitário como prova de capacidade para o exercício da função; para entrar na universidade a vocação pedida era a da fortuna (nos dois sentidos). Em Congressos se discutia a forma correta de um idioma,  como se não houvesse na linguagem espírito e fôlego. Enquanto isso,  fanáticos que julgam agir em nome de Deus - me refiro aos terroristas do avião - manipulam os órgãos de informação para seus próprios interesses. Até o fuso horário usaram a seu favor. Diante de mim o matutino dava conta do que não mais interessava - especulações sobre os extremistas, o estado psicológico dos reféns, a lógica do terror etc - perante a única nova importante, a libertação dos reféns e a fuga dos sequestradores. Escaparam. Inclusive dos jornalistas, elite cujo maior propósito é ver o circo pegar fogo para enfiar o microfone na boca chorosa do palhaço. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu, eu continuava preso àquela engrenagem -patrimônio a qualquer preço -, era a minha profissão, embora eu não  tivesse um diploma. Embora eu quisesse ser livre e os órgãos de comunicação servis, era o que eu sabia fazer. Fiquei de pé. Minha vida se tornara importuna. Era o que eu precisava agora, o elo de um emprego fixo. E o questionamento das verdades, proscrito, sonhava ainda com pessoas como eu não era, pessoas sinceras e corajosas como jamais fui, proscritos necessários - como um dia eu talvez? O escritor autêntico não tem interesse material além da sobrevivência, é livre; acredita tanto no que faz quanto sabe faze-lo e vive de acordo, incluindo rasuras e correções. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não pensava nisso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era cerca de quatro horas daquele dia de abril em 1988 quando atravessei a rua da praça, correndo do bonde na direção dos Correios. O calor se pegava a meu corpo no dia deslumbrante. Entrei rezando para que houvesse correspondência e, agraciado, fui na direção da escada de pedra, assim que a descesse estaria próximo ao Tejo o suficiente para imergir nele os pés e fazer a leitura. Minhas mãos estavam trêmulas. Li o postal. Piumhi na foto estava mais bonita do que era de fato. A mensagem de Kléber me consolava da perda de Blandine, me incentivando a encontrar um novo amor - porque no fundo, talvez, ele, como irmão, soubesse o quanto o amor dela era único. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na carta de Kátia, a letra era desenhada, sensual como ela mesma, manuscrita como se fora de forma, regularmente separada como sua própria dicção, clara e quente como aquele dia de sol. &lt;br /&gt;Ao longo da leitura, as associações me levaram de Kátia a Francesca, ciclos fragmentários da memória, desejo do sucesso que ira viabilizar meus novos relacionamentos e resgatar os antigos. A luz do sol passando por uma nuvem arrefece mas adiante torna a devolver ao dia seu horário real. Meu relógio perdia o luzir por debaixo da manga comprida. Um mover de pálpebras ali à beira do Tejo e eu sonhava com Madrid, e Paris, e Milão ou regressava para Angola; outro agora, e lancei o jornal amassado à cesta de papéis. Alguém lá fora, no corredor do quarto do hotel madrileño, ao ouvir meu monólogo certamente pensou decerto que eu tinha companhia. Suspirei e cheguei à janela. De que adianta termos asas se não ousamos voar?    &lt;br /&gt;&lt;A HREF="mailto:ricardrbr@yahoo.com.br"&gt;Ricardo_de_Almeida_Rocha&lt;/A&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3082313-90361496?l=rocharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://rocharias.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#90361496</link><author>noreply@blogger.com (Ricardo)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3082313.post-90290813</guid><pubDate>Fri, 07 Mar 2003 08:22:00 +0000</pubDate><atom:updated>2003-03-07T00:33:08.000-08:00</atom:updated><title></title><description>&lt;br /&gt;Olhei as olhas. O relógio registrava o final de abril, assim como o jornal que eu lia na cama, apoiado com os cotovelos. Noticiava o crescimento da tensão no avião árabe seqüestrado. Levantei meus olhos para o céu espanhol. Nas copas das árvores, caleidoscópios - o verde retinha as ultimas nuances do sol já imerso no abismo. Pouco me restava e tudo fragmentado, caótico. Como a um profeta, foram-me tiradas as coisas materiais, sociais, que eu prezava. Eu recalcitrava. Mas, aos poucos, eram-me tirados também os sentimentos de apego, de valorização das aparências e o conformismo ao conceito do que é básico, num processo irreversível, fatídico, escapando totalmente a meu controle. E eu disse: "Por quê?" - eu perguntava, eu queria saber; eu não era um profeta. As manhãs vinham, e depois as noites -grande es la sensación de solelad em ciudad grande - e meu coração se enchia de amargura. O sol atrai a terra e move-se no infinito, arrasta o planeta consigo, não permite que suma no vácuo; de solstício a equinócio, a humanidade vive uma estação - é assim. O inverno estava partindo mas o calor não enganaria a noção inevitável de outro inverno. Os dias se passavam, assim como as noites - quando seria eu resgatado? (aconteceria?); quando restaurado? Os utensílios de minha normalidade haviam sido tirados um a um: família, amor, amizade, pátria, um bom emprego e as facilidades que dele advém. As luzes se desprendiam das folhas e se esvaíam na noite, e me restava somente colocar o coração a serviço da fábrica em meus cadernos, junto ao que devia perdurar - os vislumbres pesados, as asas da sombra, a casa esperada, as esperanças febris -, junto ao tesouro sem traças que me restava. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3082313-90290813?l=rocharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://rocharias.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#90290813</link><author>noreply@blogger.com (Ricardo)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3082313.post-90290779</guid><pubDate>Fri, 07 Mar 2003 08:21:00 +0000</pubDate><atom:updated>2003-03-08T16:23:28.000-08:00</atom:updated><title></title><description>O universo refletia da tarde na água. &lt;br /&gt;Diante do cartão-postal de Kleber, no delírio de ter uma cidade sob o sol nas mãos e estar sob o sol de outra cidade, eu evocava meu primeiro diálogo com Francesca, levado pela intrínseca relação entre a reminiscência e os dois sóis, com minha vinda de um para o outro. Na margem do Tejo, o suposto vendedor de haxixe - na verdade caldo concentrado de galinha prensado com louro - abordava os estrangeiros, simpático enxame qual babel preguiçosa à beira do rio. Eflúvios tagídeos me esperavam na posta restante, na carta de Kátia, jovem que conhecera em Veneza, e nos instigamos, e ficamos naquele jogo de olhares e palavras dúbias, sugerindo a celebração íntima de um querer reticente, o implícito no limite da revelação. Enquanto isso dura, resiste uma inquieta amizade - e ficamos amigos.  Agora, ela me escrevia de Muggio,  falava de seus trabalhos e estudos em Milão preenchendo sua vida solitária, de suas muitas atividades, de todo o seu tempo tomado, mas dera assim mesmo um pulo a Moscou depois de uma breve excursão pelas capitais da comunidade européia, já beneficiando sem membros com a livre circulação de pessoas e mercadorias. Falava. Eu podia ouvir a sua voz, com uma naturalidade para mim apenas compreensível de quem diz ter ido ver o crepúsculo na varanda de sua casa. Ah, o tom confuso do mundo de camponeses e reis, dos pedestais da aristocracia feminina e ternos vagabundos sob o sol. &lt;br /&gt;Kátia não era personagem central em minha história, mas passava algumas questões centrais, como a da fidelidade, dilacerante dilema na vida do homem jovem que se acha velho demais para encontrar o amor perfeito idealizado na juventude. "Na noite, a chuva;  na chuva, as lembranças" - escrevia ela - "e, nas lembranças da chuva, traços que ainda se juntam: você". A vida seria aquilo? - emoções que chegam com o destino recôndito de serem tragadas pelas pressões do cotidiano, pelas regras da sociedade, e pelas nossas próprias interrogações sobre o que é a vida? "Quis escrever antes, mas não encontras palavras; enfim, me decidi, pois que são palavras senão apenas signos inertes aos quais se atribui valor?" - eu lia e me perguntava se ela estaria certa; eu morria e tentava acreditar num resgate, que minha poesia pudesse transmitir a plácida vivência que nos predispõe a aceitar os sucessos e os infortúnios como se não fossem e nos ensina a ver pelo prisma da posteridade, era importante que o fizesse, mesmo fosse a minha uma posteridade de ninguém. &lt;br /&gt;Também me perguntava por que afinal eu viera e quanto tempo ficaria na Europa. Eu não sabia. Talvez aquele continente tivesse arrastado minha alma morta, como o Ocidente chamou a Gogol; talvez aquele continente tivesse me trazido, como das Ilhas trouxe Joyce (Trieste latejava em meu sentimento) - como as palavras às vezes se escrevem a si mesmas. Eu não decidiria o dia de minha volta, se é que haveria um dia de voltar - um oceano se interpunha e eu queimara a ponte atravessada. O Brasil se tornara, após tantos meses, nada além de memória da bruma. "Eu queria ouvir de novo a sua voz", finalizava a carta, e eu não sabia mais o que querer, hesitava mesmo quanto a crer na validade de meus escritos, a minha voz: valeria a pena tentar dizer o indizível? A Portugal chegara com objetivos seculares, um emprego em jornal. Se no meio do caminho descobri a miséria e a grandeza da literatura, devia-se mais à vaidade da qual fugira. E corri-lhe ao encontro.               &lt;br /&gt;Então me vi na carta. Não é uma metáfora. Vi-me na carta. O papel fino me refletia ali sentado, recortado contra o trânsito fluindo no sentido da saída para o Porto. Um brilho imperial acinzentado cobre o casario nas ladeiras ao redor e o cheiro de vinho no ar ao de grelha e rio se mistura. Há Kátia na memória de minha língua. Tamborilam as fontes nos ladrilhos rangentes à passagem dos bondes. O prédio da esquina do Paço erguia-se triste em cicatrizes e olhos, duplicando-se abaixo, ao longo da poça no meio-fio.  Minha gola de zuarte estava levantada até a orelha e as sobrancelhas encontravam-se na glabela. No cenho, a leitura converteu-se em saudade e dor. Ergui os olhos. As dragas sorriam ao empurrar as ondulações até a superfície sáxea que à direita marginaria a avenida até a torre de Belém. Se esperava a subsistência do jornalista e do escritor o nome, escapou-me um calafrio ao saber do delírio que, ao escrever,  apenas deveria esperar manter a sanidade e transcender a fome e o frio.&lt;br /&gt;"Hoje será transmitida a décima sinfonia de Beethoven..." - liguei-me nas palavras que nos fones eram-me transmitidas, mas um avião passando interferiu na audição; depois, sonoridades gloriosas de flash de apresentação invadiram meus ouvido, substituindo o locutor. Restou-me a idéia da vida legitimada após a morte; da ausência como única circunstância eterna (seremos meros acasos no mundo ou será o mundo o mero acaso em nós, pano de fundo das existências); de a perfeição possível ser póstuma, assim como a verdadeira vida: a imortal. Foi a última notícia, a descoberta do dez onde só há nove. Vagando eu nas cintilações da água à luz que a meus pés derramava as sombras do alegre grupo de língua francesa sentado em círculo à minha frente, tomou-me a irreversível necessidade da arte, que trabalha revertendo vicissitudes, pela voz feminina que abria o programa seguinte da emissora. Perdi-me nas possibilidades de minha vocação e, naquele labirinto, comunicou-se-me o velho sentimento temido, de missão. Eu me sentia entrar entrando, sem entender a causa. Mas descobri uma coisa: é preciso dizer tudo a todos de todas as formas para se chegar a algo que acrescente espiritual eugenia à carência de um sentido para a vida. &lt;br /&gt;Lisboa, os portugueses a repartindo com europeus do Centro e do Norte, à vontade em leves roupas coloridas, ao chamado do sol ibérico, e com negros vindos das ex-colônias africanas, sentados atrás da igreja de São Domingos, logo ali depois da Praça da Figueira, ou à entrada dos Correios defronte ao à Estação do Metrô dos Restauradores. A primavera trazia o humor de seus humores tanto do verão que passara quanto do verão por chegar. Estamos num desses últimos. Give me light? - sorriu a descontraída jovem, cujo vermelho da pele acusava a palidez congênita. &lt;br /&gt;Os mochileiros  se movimentavam como numa festa íntima. &lt;br /&gt;Eu estaria apto a lhes oferecer alguma luz, com a mesma naturalidade com que lhes acendia os baseados? Ou seria o recreio, e não mais, o jardim, e só isso - menestrel na festa européia, sem qualquer dimensão de arauto do mundo uno, na pluralidade de raças sugerida ali na rua Augusta, pregado por uns para a política da Comunidade Européia e, por outros,  para toda a  humanidade. Toda essa retórica era  discurso de projeção pessoal,   conteúdo de veias exangues - e ser sangue, esta era a missão do arauto. Usaria a imprensa e denunciaria o mal, onde estivesse. Ou seria a voz calando em meu canto do poluído planeta não só da luta de classes (esboçava em minha mente o artigo sobre o maio de 68), mas sobretudo da concorrência alucinada entre membros da mesma classe social, tentando a todo transe afluir para onde a serena dignidade dos ricos assiste, cúmplice, o espetáculo - fato declarado com clareza pela postura indolente dos turistas e a pressa desvairada dos homens e mulheres lisboetas fardados de sobrevivência, ali na Praça do Comércio. &lt;br /&gt;Calcei-me e desci do mundo onde estava sentado à vista dos cacilheiros. Apanhei a mochila preta e joguei as alças no ombro esquerdo. Fui caminhando para a Estação de Santa Apolônia. À meia-noite iria tomar o trem para a Espanha. Tudo o que eu queria ao atravessar o Atlântico era um lar, a banalidade dos felizes, não estar integrado em uma civilização superior, mesmo que essa civilização agora abrigasse Blandine - não entrava em meus motivos conscientes. Não me interessava senão o pouco que a economia destroçada de meu País já não permitia. E, em vez, a liberdade de longas estradas dando em lugar nenhum, em lugares-comuns - 1992, unificação européia, abertura das fronteiras, grande crescimento paralelo da discriminação aos imigrantes e dos movimentos anti-racismo. Eu estava cansado. A magia das palavras e a busca da metáfora perfeita eliotizavam-me e vida em fragmentos poéticos volatilizados na chaminé da fábrica que funcionava em meu caderno, administrada pelo caos, misturadas talvez à perspectiva de um salário de navalha pago antes da falência - ensangüentados crepúsculos solitários derramando-se em minha mente perturbada. E eu não estava entre as melhores cabeças de minha geração, como um Ginsberg, nem escrevera discursos perfeitos pela percepção de minha verve sobrenatural. &lt;br /&gt;Entardecia. &lt;br /&gt;E eu sequer freqüentara uma universidade ou a plenitude de minha alma e sentia não fazer sentido o legado de meus escritos dispersos. Aceitara, contudo, a encomenda de um texto relacionado à passagem dos vinte anos do maio dado à luz pelo ventre de Paris e iria entrega-lo pessoalmente na revista espanhola; depois, tentaria apaziguar em Madrid meus temores ancestrais e a opressão dos dias. Deus, pensei, por que esses sentimentos paliativos? &lt;br /&gt;Eu não voltaria mais ao mundo, eu não voltaria mais. E, se não voltaria mais,  por que não haveria de tornar a olhar o céu sem medo e me importava tanto com a opinião das pessoas? De nada valera a vivência exceto para descreve-la? Eu estava saturado de lidar com palavras sem a respectiva vida. Não tinha qualquer razão, não tinha, para deixar de seu eu mesmo, para ser o que pensava e viver como escrevia (e isso com a disponibilidade máxima para riscos). Eu não voltaria mais - que é o Tempo? - e o sopro de vida seria de mim tirado como aquele trem da plataforma 1. Exceto minhas ações, nada restaria, e elas responderiam, os seus motivos, ao me chamarem após a minha morte. Por que então não bendizer toda contingência de meu respirar efêmero, incluindo as atuais conseqüências de ter me desfeito de tudo para entrar naquele avião da TAG, junto aos demais passageiros mas com passagem só de ida? Por que não deixar meu espírito escrever luz no cascalho da fronteira e continuar a ver as pedrinhas brilhando entre os trilhos, mesmo depois que a anunciada chuva apagasse a transcendental grafia. &lt;br /&gt;Eu tinha uma amada ausente, presente na foto em minha carteira e em algum recôndito do coração. Ela longe, eu era livre, mas não sabia até que ponto, não sabia se era bom. &lt;br /&gt;Nem mesmo sabia se era a  amada - o que é Amor? Afinidade? Desejo? Embora eu julgasse estar amando, e talvez estivesse, eu ainda estava por descobrir a resposta. Assim como navegar bem exige precisão, viver também o exige. Na cabina solitária do vagão, chegavam cheiros de todos os quartos das casas que na escuridão  iam passando.  Na Estação de Atocha, Madrid pela manhã, todos os rostos traziam o seu, como um ciclo de Dulcinéias, eu Quixote. A vida é irônica, pensei. Eu havia tido algumas mulheres, mas não era um libertino, nunca fora infiel - e Francesca, casada, me levava a reavaliar conceitos. Eu esperava na perfeição de uma musa única, até a toquei quando toquei Blandine, amada ausente,  mas fui tragado pela promiscuidade. O tempo continuava carregado. &lt;br /&gt;Entrei no pequeno hotel e fiquei com o quarto. Tocava Tchaikovski nos fones. Madrid, como eu a via: romântica, amarela, terapêutica, um claro e novo amanhecer. Lá fora a velha noite trovejou: solidão... solidão... Uma assombrosa periculosidade rastejava em torno, qual serpente. Meu Outro seria para sempre um espectro? O recém-nascido morreria, antes de não mais temer seus temores? Eu continuaria morrendo através do tempo? Estava terminando o meu texto e sabia, mal acabasse, nada mais restaria de mim, daquele eu mais justo que me possuía ao escrever. Era um impasse. Abrir mão dos vislumbres e conforma-los aos mecanismos da normalidade e me conformar ao conforto transitório, ou nadar contra a corrente, ir nem pela direita, nem pela esquerda nem pelo centro - pelo alto - e fluir sem influência da sombra do dinheiro. E ficar exposto a privações e provações nem sempre suportáveis. Meu ser não era meu, só um efeito cuja causa não era eu, ou pelo menos não plenamente eu. &lt;br /&gt;Mas tinha esperança. &lt;br /&gt;A perfeição passa por uma negra floresta de pompas e circunstâncias, pelas volúpias do tempo e do poder. De qualquer forma, eu, recém-nascido de um Maio há vinte anos, logo estaria morrendo outra vez - até quando? Os relâmpagos ecoaram em meu cérebro, mosaico de assombrações. Lembranças palpitavam, querendo a alma arranca-las da memória e traze-la à mão, tornadas rosa, cujo aroma desnorteasse a serpente e invertesse o ruído do trovão. Olhei a janela enquadrando o céu e uma estrela irreverente apareceu, imponente ou simplesmente só, em minha própria solidão como um sinal - que o vento levasse o que visse e visse o vento quando eu não pudesse mais. A vivência não haveria de seguir com as nuvens, mas ficar com a estrela. Eu não voltaria mais e o efeito libertar-se-ia, não haveria de passar nem nada legar aos que estavam na festa e aos que iam chegar, quando olhassem por uma janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;A HREF="mailto:ricardrbr@yahoo.com.br"&gt;Ricardo_de_Almeida_Rocha&lt;/A&gt;&lt;br /&gt;                                &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Para Download gratuito do romance "O Último Homem", entre outros,  clique &lt;a href="http://www.ebooksbrasil.com/historico/junho2001.html#ultimohomem"&gt;aqui&lt;/a&gt; (atenção: formatos disponíveis - MS Reader, Libris, Acrobat, E-book Pro etc - conforme edição). &lt;br /&gt;Para leitura on-line,  clique &lt;a href="http://www.ultimohomem.hpg.com.br"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3082313-90290779?l=rocharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://rocharias.blogspot.com/2003_03_01_archive.html#90290779</link><author>noreply@blogger.com (Ricardo)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3082313.post-87200512</guid><pubDate>Fri, 10 Jan 2003 03:58:00 +0000</pubDate><atom:updated>2003-03-08T16:11:45.000-08:00</atom:updated><title></title><description>Novo endereço: &lt;a href="http://bauh.blogspot.com"&gt;Baú&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3082313-87200512?l=rocharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://rocharias.blogspot.com/2003_01_01_archive.html#87200512</link><author>noreply@blogger.com (Ricardo)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3082313.post-75141072</guid><pubDate>Sun, 07 Apr 2002 22:33:00 +0000</pubDate><atom:updated>2002-04-08T12:07:00.000-07:00</atom:updated><title></title><description>&lt;html&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;head&gt;&lt;br /&gt;&lt;meta http-equiv="Content-Language" content="pt-br"&gt;&lt;br /&gt;&lt;meta http-equiv="Content-Type" content="text/html; charset=windows-1252"&gt;&lt;br /&gt;&lt;meta name="GENERATOR" content="Microsoft FrontPage 4.0"&gt;&lt;br /&gt;&lt;meta name="ProgId" content="FrontPage.Editor.Document"&gt;&lt;br /&gt;&lt;title&gt;Um após outras as casas se levantam e tombam&lt;/title&gt;&lt;br /&gt;&lt;/head&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;body&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;font size="4" face="Lucida Handwriting"&gt;Um após outras as&lt;br /&gt;casas se levantam e tombam , desmoronam são ampliadas,&lt;br /&gt;removidas, destruídas, ou em seu lugar irrompe um campo aberto, uma usina&amp;nbsp; ou um &lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.wadada.net/alwarda/eliot/EastCoker.htm"&gt;atalh&lt;/a&gt;o&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="right"&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;font face="Lucida Sans Typewriter" size="4"&gt;&lt;span style="mso-fareast-font-family: Times New Roman; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA"&gt;Las&lt;br /&gt;revoluciones, transformaciones sociales radicales y aceleradas hechas de&lt;br /&gt;circunstancias, no simpre, o casi nunca, o quizás nunca son maduradas y&lt;br /&gt;previstas cientificamente. &lt;span style="mso-spacerun: yes; mso-fareast-font-family: Times New Roman; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;(&lt;i&gt;Che&lt;br /&gt;Guevara, “Pasajes de La Guerra Revolucionaria&lt;/i&gt;”)&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/body&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/html&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou viajar na próxima segunda-feira para o Rio, por uma estrada que decerto muito percorreram antes de mim, com uma visão de mundo que procura ser justa com pessoas e coisas, independe de seus status e conceitos normalizados.  Não será apenas uma mudança geográfica: vou deixar a rede — vale dizer: os blogs, os e-mails e o icq. Para que entendam a dimensão disso para mim (e para que eu mesmo possa avalia-la), vou contar duas histórias, uma sobre viagem e outra sobre a internet. Algumas pessoas já conhecem pelo menos uma dessas histórias, mas vou contar assim mesmo.    &lt;br /&gt;A primeira, com relação a viagem (sem crase, não à viagem, a que vou fazer segunda-feira) diz respeito a mim mesmo. &lt;br /&gt;Em 1988, eu trabalhava num grande jornal do interior de  São Paulo, em São José dos Campos. Era registrado em carteira, pagava o sindicato, e tudo o mais. As pessoas gostavam de mim (um detalhe importante para alguém tímido e anti-social como eu), respeitavam meu trabalho —copydesk,  eu trabalhava na editoria internacional, isto é, pegava os telex, selecionava as notícias do mundo, refazia o texto, titulava, e, se fosse o caso de chamada na primeira página, ia para a sala dos diagramadores. Mas também ajudava na Revisão, e no Past-Up, que era, no tempo em que se amarrava cachorro com lingüiça, a revisão da página já montada.  &lt;br /&gt;Muito bem. Até ali, eu trabalhava toda uma vida em jornais, assinava matérias, mas não tinha diploma, o famoso diploma de Comunicação. Mas, com absoluta certeza, era um jornalista, e modéstia inclusa, um bom jornalista. Mas começava a perseguição. Primeiro, os editores-chefes advogaram nossa causa. Jornalista se fazia em jornais, não em faculdade, diziam, até pelos seus próprios veículos.  A pressão, todavia, foi muita e cada um começou a tratar de si, para não serem atingidos eles mesmos, providenciaram provisionamentos, enfim. É claro que quem entrou na idade de fazer faculdade uma década depois e pôde efetivamente faze-la (detalhe fundamental) e escolheu Comunicação, estes não tem rigorosamente culpa de nada da época, mas é no mínimo uma ironia que muitos hoje, ao ficarem desempregados, reclamem com tal veemência,  dos “interesses corporativos”, quando na verdade o desemprego atual tem outras razões, dentre as quais a tecnológica, a saber, ligada às mesmas tecnologias de que fazem a apologia. &lt;br /&gt;Sabem  quanto na atual degola se deve, por exemplo, aos programas de correção ortográfica e gramatical? o quanto à política econômica, à pressão competitiva que induz a um feroz corte de gastos?  à globalização, as metas impostas pelo FMI ao País, que acabam afetando as empresas? — e por aí vai. Interesse corporativo é outra coisa. Aquilo sim era interesse corporativo, isto é, ligado a um grupo organizado, onde podemos incluir os próprios  sindicatos à sombra de peixes grandes de nossa sociedade, os donos de faculdades e cursinhos, os filhinhos de papai (e seus papais) que d outra forma jamais poderiam assumir com credibilidade funções de assessoria de imprensa  nem trabalhar em jornais —  jamais dos jornalistas profissionais, que nada tinham a ganhar e muito a perder com a nova lei da obrigatoriedade. Aliás, pelo nível dos jornais hoje comparado aos da época, vê-se que o jornalismo em si tinha muito a perder. E, aliás, este é exatamente o conteúdo da decisão da juíza que eliminou a exigência legal do diploma, um pouco tarde, infelizmente. Agora, a questão não é mais ter ou não ter diploma, agora a questão é que estão acabando os postos de trabalho, para quem tenha diploma ou não.     &lt;br /&gt;Então, eu parti.  Na verdade, estava movido também por motivações amorosas, eu tinha uma amada na Europa, achei que ter também um emprego resolveria os dois problemas — a distância dela e a pressão no Brasil. Não foi bem assim, e, alguns meses depois que eu cheguei a Lisboa, estava na mais absoluta miséria e solidão. Tentei a sorte em Madrid, mas o que consegui com isso foi passar mais frio e fome, ao relento, no inverno que então começava. Alguém teve compaixão de mim e fui salvo. Alguém para quem ninguém jamais fez ou fará um post, que jamais será cantada em prosa e verso num blog, mas tinha uma misericórdia revolucionária. Porque hoje se usa e abusa da palavra Revolução: o Icq foi uma, os e-groups, o e-mail, o blog. Mas tecnologia, sozinha, não faz revolução, nunca fez. Pessoas sim, com ou sem tecnologia.  No caso do blog, a revolução estaria no fato de que são essenciais como forma de expressão e reação do indivíduo em um mundo cada vez mais regido por interesses corporativos [...] e que nesse mundo a avaliação crítica se faz mais importante. Importante por quê? Aonde nos leva? No sentido de uma revolução, como querem tantos? &lt;br /&gt;A melhor definição de revolução ainda é a de Che. A internet não se encaixa aqui, nem os blogs, o e-mail, o icq. E aqui chegamos ao segundo ponto: a internet foi uma das maiores invenções do ser humano. Por que então não se transformou, de fato, numa revolução do modo de vida das pessoas, de um estado de estagnação para uma vida melhor e mais livre e justa? Por causa do... ser humano. E aí eu me lembro da segunda história. &lt;br /&gt;Em 2000, eu fazia parte de um grupo. Um dia, chegou um e-mail, que era, a rigor, um spam, falando sobre um menino de 7 anos que tinha uma doença rara e precisava de transfusões de sangue tipo tal para sobreviver e, quem sabe, ser curado. Uns do grupo simplesmente encaixaram a mensagem no conceito de spam e um moderador pagou geral.  Entretanto, uma moça do grupo, residente no Espírito Santo (longe do menino, que estava no Rio), que trabalhava em telemarketing,  contatou uma pá de gente, até enfim conseguir com um capitão do Exército que pusesse os homens a seu comando à disposição da família do menino. Isso aconteceu e, algumas transfusões depois, o menino estava melhor, fora de perigo. Hoje, vive uma vida cheia de cuidados por parte de seus pais, mas pode-se dizer que quase normal. Muito bem, o que o salvou? A tecnologia do e-mail? Naturalmente, quem o salvou foram, pela ordem: a moça do grupo, o capitão e os soldados. Mas, é claro, se não existisse e-mail, nunca ninguém  saberia de seu problema. Quem me salvou na Europa? A pessoa que me abriu sua casa mesmo sem me conhecer. E, no caso, soube do caso mesmo sem qualquer tipo de tecnologia. Aliás, fico pensando se na época eu pudesse ter acesso a um grupo, a um blog, de, digamos, um café com internet (que então engatinhava). Será que eu teria sido salvo pela união de todos os blogueiros do mundo? É difícil responder, mas é interessante especular a respeito. &lt;br /&gt;E agora, estou indo embora, basicamente por causa de não conseguir mais emprego, que, como sabemos, está complicado, e estaria mesmo se não houvesse a questão do diploma. A situação é desesperadora. Na verdade o Brasil ainda é um País privilegiado em termos de índice de desemprego, paradoxal como possa parecer. Em 1998, a taxa era de 9%, pequena em comparação, por exemplo, com a Espanha (mais de 20%) e no mesmo nível da Alemanha (cerca de 12%). O complicador no caso do Brasil, é que não temos uma política de bem-estar social e há uma cultura de se apegar a emprego, não a trabalho, não há a noção de que logo viveremos num mundo sem empregos, onde será preciso que se criem novas perspectivas para a sobrevivência. &lt;br /&gt;Enquanto isso não chega de todo, vou para o Rio. Quem sabe retorne aos livros de bolso, aos serviços de ghost-writer, sei lá, talvez seja uma idéia até o retorno às redações — quem sabe volte às impressoras off-set, por que não? Será uma viagem para longe da rede, por um tempo. Preciso dele. O fato é que “Pc e modem”, que para muitos é o bastante para a tal da revolução, está longe de ser uma inclusão generalizada, não é todo mundo que tem acesso, apesar do politicamente correto discurso contra a exclusão digital. E, por exemplo, sobrevivi com um computador dois anos conectado por só conectava de madrugada e domingos.   E, mesmo que houvesse essa igualdade, as tecnologias da informação, de fato, não tem uma influência relevante no aumento GERAL da produtividade e, quando tem, o que acontece não é bem-estar, mais horas de lazer ou melhores salários; ao contrário, quando há esse “progresso”, o primeiro sintoma é exatamente desemprego. Então, a revolução, ou seja, uma transformação social radical e acelerada, é efetivamente uma necessidade. Se os blogs e o Icq já fossem uma, não estaríamos com certeza nessa situação. Culpa da tecnologia? Naturalmente não. O problema é que, enquanto ficamos girando em torno de nós mesmos, não agimos no sentido de mudança. Assim, o blog e o icq, como e-mail, que poderiam efetivamente ter um uso revolucionário, tornam-se ao contrário, uma excelente ferramenta para a manutenção de todos os vícios do sistema e da sociedade, que começam exatamente no egocentrismo das pessoas. Em outras palavras, a tecnologia de ponta precisa de pessoas de ponta, fazendo coisas de ponta — o que normalmente implica em ser diferente dos demais, o que por desagradável, por desconfortável que seja, é essencial e o que hoje menos se vê. Todos fazem tudo igual.   &lt;br /&gt;Não faria mal algum se a teia-trilha de links,  parte do caminho de qualquer pessoa que busque informação e diversão na internet, pudesse interagir também no sentido de mais solidariedade efetiva entre as pessoas nos maus momentos de cada uma. Utopia? Talvez, mas que seria de nós  sem uma boa utopiazinha?   Porque, e aqui eu acho que reside a chave de tudo, o que há na rede, além de “um Pc e um modem”, é uma total falta de compromisso, sem o que nada vai adiante na vida, muito especialmente as revoluções.  &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3082313-75141072?l=rocharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://rocharias.blogspot.com/2002_04_01_archive.html#75141072</link><author>noreply@blogger.com (Ricardo)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3082313.post-75130058</guid><pubDate>Sun, 07 Apr 2002 11:27:00 +0000</pubDate><atom:updated>2002-04-07T04:27:23.183-07:00</atom:updated><title></title><description>Foi um belo sábado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque eu não podia mais passar outro final de semana em casa, preocupado com o que vai ser amanhã, com o desemprego e as contas, diante do computador, que tem os seus momentos de glória na vida da gente, mas, definitivamente, não os do final de semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De manhã, saí e fui comprar o jornal, o velho e bom jornal de papel, que possibilita o movimento das páginas, que tem sua própria memória, e sons, sua própria vida. As notícias mesmo eram só pretexto, oscilando entre a luz através das folhas das árvores:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinqüenta palestinos, a maioria no campo de refugiados da cidade de Jenin, morreram em ataques israelenses, supõe- se que tenha sido o dia mais violento desde que teve início esse novo ciclo dos conflitos no Oriente Médio, e o dia mais violento não causa mais espanto, é a banalização de toda sorte de violência; no Brasil, as opiniões se dividem com relação ao choro de Romário, como não poderia deixar de ser, alguns dos ex-grandes grandes e rebeldes acham que ele foi uma tentativa válida, outros crêem que ele se rebaixou, a tônica é mais ou menos que todos estão com ele em sua fome de Copa e no tocante a ele merecer, mas não pediriam desculpas a ninguém; Roseana e Garotinho deixaram os Governos do Maranhão e do Rio, mesmo sem maiores perspectivas sequer de segundo turno, depois dos incidentes com a Polícia Federal, a filha de Sarney não deve alimentar mais esperanças que as decorrentes da vaidade humana — eu fico pensando que deve haver mesmo grandes vantagens em se disputar uma eleição assim, sem qualquer chance, para deixarem seus cargos, mas, por outro lado, depois que o Bambam foi o mais votado no Big Brother, tudo pode acontecer quando deixam a decisão para o voto dos brasileiros. Aqui no Espírito Santo foi dia de preparativos para a festa da Penha. Não gosto dos fogos, mas no mais é legal ver as pessoas devotadas a algo que não faça parte dessa vida, faz sentido...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quando larguei o jornal para dar pão para os patos do lago no Parque Moscoso que eu fiquei pensando na Conexão Blogger do JB, justamente algo que eu não acabara de ler. Fiquei lembrando em como o Sistema se apropriou dos anos sessenta, da questão dos direitos civis, do rock, dos temas até então underground. O Sistema se apropria de tudo. Agora os blogs, amanhã, sabe-se lá... Mais cedo ou mais tarde as coisas perdem sua vitalidade original e se acinzentam, se ordinarizam. Menos a natureza. Fiquei um tempão olhando os patos, ouvindo os pombos, vendo as ramagens ao vento, sentido o ar ainda fresco no rosto (Deus, quando vai terminar esse calor?). O calor se deslocava com o canto dos pardais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E porque não espero mais um milagre, é como se a Natureza me dissesse ser ela própria um milagre, e, assim, tudo eu posso esperar. Então, cheguei em casa, descansei, vi à tarde o sol e a chuva rápida da janela e agora este belo sábado vai terminar num passeio pela orla junto às ondas semi-ouvidas, em meio aos transeuntes não percebidos. Vai ter um show de uma banda negra, vinda da África do Sul, mas com jeito de Jamaica, de mulheres, negras lindas. E afinal tudo terminará bem, porque a Dor que se recusa a apenas se dissipar na fuga, enfim, acaba se transmudando em celebração, e a vida será de novo vida, como antes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3082313-75130058?l=rocharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://rocharias.blogspot.com/2002_04_01_archive.html#75130058</link><author>noreply@blogger.com (Ricardo)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3082313.post-75101170</guid><pubDate>Sat, 06 Apr 2002 08:16:00 +0000</pubDate><atom:updated>2002-04-06T10:50:29.000-08:00</atom:updated><title></title><description>&lt;i&gt;The Revolution Will be Webified. Este é o título da entrevista concedida por Mr. Evan Williams, criador do Blogger, para a revista Fast Company, uma das mais prestigiadas publicações do mundo sobre economia digital. Toda esta última edição, aliás, é um verdadeiro elogio aos blogs: são cinco grandes matérias tratando os blogs como eles merecem: com seriedade. As publicações brasileiras bem que poderiam se espelhar na Fast Company, ao invés de ainda tratar blogs como diários de adolescentes. Já está mais do que na hora.&lt;/i&gt;&lt;a href="http://lanceirolivre.blogspot.com "&gt;LanceiroLivre&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de as publicações brasileiras deixarem de tratar os blogs como diários de adolescentes, seria preciso que os que escrevem blogs no Brasil os tratassem com mais seriedade. Edgar A. Poe disse que há dois tipos de livros: os que nos dão matéria para reflexão pelo que dizem; e os que nos dão matéria de reflexão pelo que poderiam, para nós, ter dito. E disse que os jornalistas são como deuses que se dilaceram em mil pedaços todos os dias, mas a cada manhã acordam saudáveis. Isso escreveu em Baltimore. Não sei como é ou era por lá em sua época. Sei como ele morreu, cheio de ópio e completamente sozinho,  o que me levam a crer que não era muito diferente daqui, hoje. E era um grande jornalista, o maior de seu tempo, como foi o grande poeta que foi. Teria feito blogs incríveis, se vivesse hoje.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, temos um Brasil que é dominado há décadas pelas mesmíssimas famílias, que repartem esse poder regionalmente sob o olhar condescendente de nossos grandes intelectuais, que, aliás, participam do processo.  Então, surge a internet e com ela a perspectiva de isso mudar, como de resto está mudando no mundo. Fora algum exagero, os blogs podem ser sem dúvida, de alguma forma, revolucionários. De fato, a aposta que fizeram nos EUA aquele editor do NYTimes e aquele que aposta nos blogs (daqui a cinco anos as notícias estarão mais discutidas na mídia oficial ou nas páginas pessoais?) está em pleno vigor, e caberá ao Google, de um modo simples decidir: far-se-á  a pesquisa por palavra-chave de assuntos então no momento. Se vier mais NYTimes, ganha o primeiro; o outro ganha se nos resultados vier mais dos segundos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso não teria sentido no Brasil, pelo menos hoje não teria. A mídia é repartida entre os poderes e os intelectuais que antes participavam apenas das redações, hoje são cúmplices desse processo diretamente da internet. Pegue um site como o No, uma unanimidade em termos de Notícia e Opinião na rede. O que se vê? Exatamente os mesmos colunistas da mídia tradicional. Mais que isso, quando um deles se dispõe a falar dos blogs, o faz com tanto tato, contornando melindres, com tanto  respeito pelos blogueiros "oficiais", que dá pena, pena de nós, de nossa distância de alguma perspectiva de igualdade ao menos digital, que tantos de nós sonhamos. São sempre os mesmos os blogueiros citados, como são sempre os mesmos colunistas, como é sempre a mesma mídia. Porque os nossos blogs, como regra pelo menos (graças a Deus pelas exceções) têm sim o espírito de diários de adolescentes  - egoísta, portanto). E terminam por ser não uma revolução, mas outra face do elitismo que reparte a mídia, e agora a rede, entre uns poucos. Peguem uma reportagem qualquer sobre os blogs nos EUA, pegue um blog como o &lt;a href="http://www.metafilter.com/"&gt;Metafilter&lt;/a&gt; (aí é até covardia, porque não temos blogs coletivos de notícias como ele, com mais de 10.000 membros, imagina), pegue um blog como o da Anna ou a ótima página pessoal do próprio &lt;a href="http://www.evhead.com"&gt;Evan&lt;/a&gt;, para ficar nele, o criador do Blogger (do programa), não da idéia de uma pessoal - ainda que esteja dentro de um site da mídia tradicional, como alguns jornais ingleses  - com referências, links etc, se comunicando entre si. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora faça uma colheita igual por aqui. Não há simplesmente como fazer a comparação, a diferença é um oceano. Quando de 11 de setembro, havia blogs que questionavam a política externa de Bush, em pleno frigir dos ovos! Se a mídia tradicional mantinha aquela velha abordagem maniqueísta,  vinha dos blogs uma nova visão de mundo. Mas, por aqui, o blog tal continua falando das coisas que seu dono vai fazer no final de semana, enquanto o Y comenta  a maravilha que é o seu equipamento tal, e isso, no fundo, não seria um problema SE HOUVESSE algo um pouco mais além e se os poucos que tentam fazer algo mais além não fossem alijados sumariamente, como um jornalista sem diploma hoje ainda é, mesmo depois da decisão da juíza após a qual caiu a obrigatoriedade do diploma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Infelizmente, esse verdadeiro elogio aos blogs, que é enaltecido, se fosse por aqui, iria ficar, como aliás fica, no círculo vicioso de uma internet que apenas consegue reproduzir os males do chamado mundo real, na desigualdade de oportunidades, na discriminação, no elogio da mediocridade, na obrigatoriedade do diploma - que nada mais é que um retrato da nossa cultura acadêmica, que por sua vez é o que se sabe, uma universidade falida, que deseduca, bem de acordo com a ideologia vigente, onde se finge que estuda para quem finge que se preocupa em educar mas se limita a ser orientador da monografia de graduação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio de quem silencia pode ser sábio ou simplesmente falta mesmo do que dizer.  Pode ser cauteloso, equilibrado, ou covarde. Depende. Prefiro crer como Jorge Luis Borges que podemos deixar a vida como está para ver como é que fica ou com paciência e trabalho conseguir realizar as mudanças  necessárias na sua vida e no mundo à sua volta. Por exemplo, houve até dias atrás no próprio No. uma doce coluna sobre tecnologia - telemática, informática etc. do Sílvio Meira que era um consolo a gente ler: era um blog, um blog especializado em tecnologia, mas que mantinha a visão de que a tecnologia sozinha não socorre, é preciso que as pessoas ajam de acordo com as inovações, que sejam elas mesmas revolucionárias antes, para que a tecnologia também o possa ser. Há o &lt;a href="http://www.dvorak.com"&gt;Dvorak&lt;/a&gt;, , que teve a coragem de apontar, na época, a arrogância dos yuppies do dinheiro fácil que faliram com a quebra da Nasdaq - graças a Deus-, deixando os restaurantes da moda de novo acolhedores para os casais românticos. Há o  &lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.alfarrabio.blogspot.com"&gt;Alfarrábio&lt;/a&gt;, que é saltério, livro, e cumpre direitinho seu papel, com uma visão equilibrada e inteligente, sem contar a beleza da página,  e isso diretamente de um blog blogspot.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, se o futuro era melhor no passado, agora, no presente, não se pode dizer que estejamos fadados a não ter esperança, há sim movimentos contra a corrente, inclusive nos blogs,  são blogs amigos, sem serem da nossa"panela, que suavizam nossas vidas discretamente;  nem ausentes, nem presentes demais. Não são arrogantes como os que  se acham parte de uma revolucao e nem saiu dos cueiros em termos de jornalismo, ou de literatura, ou de seja lá o que for, mas se acham bons de mais pra sairem de seus pedestais e terem de responder um email que lhes incomoda, responder um e-mail, princípio básico de um revolucao na comunicação on-line, feita por pessoas, não por tecnologias.  É possível por tudo isso acreditar quando Meira diz que é possível que a informática, nestes 50 anos de sua efetiva utilização pela sociedade, termine enfim por trazer  a cada vez mais gente, desenvolvimento além do progresso, para que o futuro seja, pelo menos, melhor do que o passado. Nesse contexto, os blogs serão efetivamente revolucionários, tanto que possivelmente já existirão novas maneiras de estar na rede ainda mais revolucionárias que os blogs, pelo que  terão cumprido enfim o seu papel. Por agora, entretanto, é apenas uma esperança. Mas é a última que morre, não é mesmo?  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3082313-75101170?l=rocharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://rocharias.blogspot.com/2002_04_01_archive.html#75101170</link><author>noreply@blogger.com (Ricardo)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3082313.post-11282996</guid><pubDate>Sat, 30 Mar 2002 17:51:00 +0000</pubDate><atom:updated>2002-03-30T09:51:42.826-08:00</atom:updated><title></title><description>E hoje, véspera da &lt;a href="http://www.psicologiaefe.hpg.ig.com.br/oracao27.html"&gt;Páscoa&lt;/a&gt;, entendi o motivo por que evoquei tanto ontem &lt;a href="http://us.imdb.com/EGallery?source=ss&amp;group=0174856&amp;photo=11&amp;path=gallery&amp;path_key=0174856"&gt;Hurricane&lt;/a&gt;. Está claro agora.  Conheci Rubim "Hurricane" Carter por meio do LP (bolachão de vinil, claro) de &lt;a href="http://www.bobdylan.com/songs/hurricane.html"&gt;Bob Dylan&lt;/a&gt;, de 1976, "Desire". É um dos melhores discos de Dylan. E "Hurricane", a canção, é o chamado carro-chefe, com seus 13 minutos e meio. O filme, na verdade, aproveita muito daquela letra, além de usar a música. Mas vai além. E entendi por que me impressionou tanto a ponto de lembra-lo na sexta-feira santa. É antes de qualquer coisa um filme sobre o amor, o amor maior, o amor ao próximo. Mas também é um filme sobre preconceito e sobre as formas de supera-lo, sobre a força do amor.  Norman Jewinson sempre falou disso em seus filmes, como em "Bogus". Mas aqui, com a atuação impecável de Denzel Washington (que talvez tenha conquistado, domingo, seu Oscar não por "Dia de Treinamento", mas exatamente porque deixou de ganhar no ano passado por Hurricane), abre mão de toda fantasia, para contar a história verídica de Rubim Carter, e sua verídica via-crúcis, com direito à redenção final. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, além disso, há uma cena que particularmente me tocou: quando da visita à penitenciária, o menino escuta de Rubim a razão de ter conseguido sobreviver até ali: a literatura, o fato de estar lendo livros e escrevendo um livro (no qual parte do filme se baseia). Lembrava de Dostoievski,  Zola, Wilde,  escritores que fizeram obras-primas na prisão. Mas o mais importante era a idéia implícita de que o ato de escrever "é mais poderoso do que o soco mais poderoso". Que, ao escrever, a pessoa transcende sua situação real e a sublima de forma tal que sai de si mesma e do lugar onde está. É uma idéia carregada do sentimento no qual Rilke baseia suas elegias: o duplo domínio entre o céu e a terra (doppelbereich), o sentimento de que tudo, das primaveras às estrelas, pode se tornar missão quando a pessoa se dispõe a escrever. Nesses momentos, "é estranho, sem dúvida, não habitar mais a terra, abandonar os hábitos apenas aprendidos, às rosas e outras coisas igualmente promissoras" (Rilke, Rainer Maria:Elegias de Duíno, Primeira Elegia). &lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3082313-11282996?l=rocharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://rocharias.blogspot.com/2002_03_01_archive.html#11282996</link><author>noreply@blogger.com (Ricardo)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3082313.post-11235065</guid><pubDate>Fri, 29 Mar 2002 03:37:00 +0000</pubDate><atom:updated>2002-03-29T10:13:10.000-08:00</atom:updated><title></title><description>Dear girlfriend, Isn't it good to know winter is coming, reason why I didn't go home... or ...I go home have losting your &lt;a href="http://www.photo.net/photodb/photo?photo_id=665623"&gt;love&lt;/a&gt; and write this post.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, coisas &lt;a href="http://www.rocharicr.blogspot.com"&gt;antigas&lt;/a&gt;... Em meio ao tumulto de passageiros, subi no vagão, permanecendo na plataforma parentes &lt;a href="mailto:daisy@2vias.com.ar"&gt;e&lt;/a&gt; amigos... Por que agora evoco este &lt;a href="http://us.imdb.com/Title?0174856"&gt;filme&lt;/a&gt;?  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;y yo&lt;br /&gt;busco&lt;br /&gt;definiciones &lt;br /&gt;citas&lt;br /&gt;acercamientos&lt;br /&gt;explicaciones &lt;br /&gt;reflexiones&lt;br /&gt;pistas&lt;br /&gt;recetas&lt;br /&gt;taladran el oído&lt;br /&gt;el silbato de alarma&lt;br /&gt;alarma Ingeborg Bachmann &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tantas meditações pacientes mas longe de serem tranquilas nos são necessárias até quer nos sintamos seguros... &lt;a href="http://lunarossa.blogspot.com/"&gt;Luna&lt;/a&gt; respondeu o mail, o que não deixa de ser surpreendente, mas também tem seu lado previsível, sempre as coisas acontecem de modo diferente do que se espera, o amanhã nunca é como se apresenta num primeiro momento, e jamais como, supostamente, deveria ser...  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3082313-11235065?l=rocharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://rocharias.blogspot.com/2002_03_01_archive.html#11235065</link><author>noreply@blogger.com (Ricardo)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3082313.post-11125726</guid><pubDate>Tue, 26 Mar 2002 04:29:00 +0000</pubDate><atom:updated>2002-03-25T20:53:28.000-08:00</atom:updated><title></title><description>O caso desse &lt;a href="http://redeglobo.globo.com/cgi-bin/jornaldaglobo/montar_texto.pl?controle=1957"&gt;terapeuta pedófilo&lt;/a&gt; não é um caso isolado, recentemente houve o caso dos padres, e efetivamente é reflexo de o quanto a sociedade está doente. Há uma liberalidade voraz, que impede qualquer voz de se levantar contra o que quer que seja, sem ser ridicularizada como moralista. Quando uma pessoa está doente, procura um médico, não se imagina que uma pessoa doente vá rechaçar todo e qualquer palpite sobre o seu mal. Ao contrário, os palpites são levados em conta, tenta-se aquela erva, aquela panacéia, até aquela simpatia. Mas nossa sociedade está doente, e, pior ainda, rejeita possibilidades de cura. Não se faz, por exemplo, uma ligação entre essa liberalidade, entre essa permissividade, a banalização de tudo como normal, e as coisas que eventualmente até essa mesma sociedade terminará julgando anormal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mal cresce, dentre outras coisas, porque está informatizado; e a grande ironia é que as tecnologias da informação, que tanto prometem em nível social, pouco devolvem daquilo se investe nesse sentido. Não houve, por exemplo, um avanço significativo da produtividade, em virtude do computador; e, quando houve, isso não se traduziu em benefícios, como mais tempo de lazer para o trabalhador, mas, ao contrário, em desemprego. A própria internet, como ferramenta de comunicação, aproxima pessoas, mas, pela própria superficialidade das relações instantâneas que estimula, acaba por criar novos laços, sim, mas cada vez mais superficiais. Porém, quando se trata de maquinar atentados, por exemplo, usa-se a mesma rede, com sucesso, porque um atentado não exige profundidade de laços entre criminosos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como disse &lt;a href="http://www.bol.com.br/folha/noticias/mundo/2001/09/18/0064.html "&gt;Hobsbawn&lt;/a&gt;, a globalização foi usada como arma no dia 11 de setembro, com as idas e vindas das pessoas entre os países, com a facilidade da comunicação entre elas.  O mundo moderno, pela própria sofisticação, é vulnerável. Os celulares que marcam festas são os mesmos que coordenam seqüestros. É uma sociedade que teme a violência, mas a incentiva, quando não se estabelecem limites; quando os professores são despreparados, e quando se acredita que serão melhor preparados apenas com um aumento de salário; quando os pais protegem filhos respaldados não em valores mas no seu poder econômico;  quando se faz do voyeurismo um modo de vida enquanto simultaneamente se busca superar os transtornos na interação social. Ou seja, quando se quer ao mesmo tempo oferecer bebida e combater o alcoolismo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Condena-se a corrupção, mas toda a engrenagem atua no sentido de facilita-la. O próprio Estado de Direito, nesse contexto, deforma as instituições, faz desse mesmo Direito um veículo de um mar de hábeas corpus para criminosos comuns como o são os bandidos de colarinho branco; a contabilidade do tráfico e a contabilidade dos governos subterrâneos têm uma percentagem relevante do faturamento destinada às propinas, e só há corrupção onde existe o elemento corrupto junto ao corruptor.  O poder econômico se junta ao poder de intimidação da violência no controle da sociedade, cujos membros estão tão imersos na própria “liberdade” pessoal, que nem percebem o quanto as coisas se deformam a seu redor. Dizem-se livres, mas são eles mesmos escravos, uma vez que o escravo tem de se submeter ao seu senhor, como no caso do amor do dinheiro em si mesmo,  do amor de si mesmo, do amor do prazer a qualquer preço.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, se o computador e as telecomunicações não podem gerar emprego e renda — ao contrário, eliminam mais postos de trabalho do que criam —, se não conseguem fortalecer os laços de afeto — apesar de aumentar a lista de contatos com os e-mails e programas de mensagens instantâneas—, podem disseminar rapidamente  a devassidão, as deformações, o crime. Independente do que concluam as investigações sobre o “terapeuta”, é claro, pela própria existência das fitas, que há uma ligação internacional entre esse tipo de pessoas. Decerto a maioria das pessoas de bem não se sentiria invadida se, para prevenir tais males, houvesse menos direitos à privacidade — desde que assim também fosse possível haver mais direito à dignidade, para um número maior de pessoas, e esse gênero de “médicos”, de “advogados”, de “empresários”, de “padres” e “pastores” tivessem um espaço cada vez menor de espalharem suas doenças e fazer delas chagas coletivas da própria sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A esta altura, porém, talvez seja quase utópico pensar nisso sem que isso leve a uma retórica maniqueísta, o que não é definitivamente uma solução. Parece que o bom-senso do equilíbrio é um ideal cada vez mais distante e a sociedade doente parece cada vez mais um paciente terminal. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3082313-11125726?l=rocharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://rocharias.blogspot.com/2002_03_01_archive.html#11125726</link><author>noreply@blogger.com (Ricardo)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3082313.post-11029166</guid><pubDate>Sat, 23 Mar 2002 04:49:00 +0000</pubDate><atom:updated>2002-03-27T19:35:59.000-08:00</atom:updated><title></title><description>&lt;html&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;head&gt;&lt;br /&gt;&lt;meta http-equiv="Content-Type" content="text/html; charset=windows-1252"&gt;&lt;br /&gt;&lt;meta name="GENERATOR" content="Microsoft FrontPage 4.0"&gt;&lt;br /&gt;&lt;meta name="ProgId" content="FrontPage.Editor.Document"&gt;&lt;br /&gt;&lt;title&gt;Laudde&lt;/title&gt;&lt;br /&gt;&lt;/head&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;body&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.45pt; mso-margin-top-alt: 6.0pt; border-style: ridge; border-color: #800000; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-bottom: 6pt" align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;font size="4"&gt;UMA&lt;br /&gt;MENTE BRILHANTE&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt; MARGIN-LEFT: 0cm; TEXT-INDENT: 35.45pt; MARGIN-RIGHT: 0cm; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: 6.0pt"&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt; MARGIN-LEFT: 0cm; TEXT-INDENT: 35.45pt; MARGIN-RIGHT: 0cm; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: 6.0pt"&gt;&lt;font face="Book Antiqua" size="4"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt"&gt;Bem,&lt;br /&gt;há decerto pontos de contato entre &amp;quot;Uma mente brilhante&amp;quot; e “Alucinações&lt;br /&gt;do Passado”, de Adrian Lyne, demonstrando que esse elemento do filme, o das&lt;br /&gt;alucinações que ganham status de personagem, não provém de “Sexto&lt;br /&gt;Sentido”, mas em muito lhe antecede. Até mesmo as alucinações do personagem&lt;br /&gt;de Russel Crowe e o de Tim Robbins (naquele remotro ano de 1990) giram em torno&lt;br /&gt;de segredos militares. Mas as coincidências - ou influências—, param por aí.&lt;br /&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt; MARGIN-LEFT: 0cm; TEXT-INDENT: 35.45pt; MARGIN-RIGHT: 0cm; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: 6.0pt"&gt;&lt;font face="Book Antiqua" size="4"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;As&lt;br /&gt;supostas omissões biográficas não têm qualquer relevância quanto à&lt;br /&gt;legitimidade do filme e, se fizer com que perca algum Oscar hoje, não lhe terá&lt;br /&gt;feito absolutamente nada, num nível mais acima, no nível da arte, do clássico,&lt;br /&gt;cujo terreno não é nem pode ser o hoje, mas vive no amanhã. Um clássico, por&lt;br /&gt;definição, só o é se passar pelo crivo do tempo, não da crítica ou de um júri.&lt;br /&gt;E, eu creio, “Mente Brilhante” tem todos os atributos para eventualmente, no&lt;br /&gt;futuro, tornar-se um clássico.&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt; MARGIN-LEFT: 0cm; TEXT-INDENT: 35.45pt; MARGIN-RIGHT: 0cm; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: 6.0pt"&gt;&lt;font face="Book Antiqua" size="4"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt"&gt;É&lt;br /&gt;importante, antes de qualquer coisa, considerar o que poucos têm considerado, e&lt;br /&gt;aquilo no que o&amp;nbsp;próprio filme não tinha como se deter mais: o aspecto&lt;br /&gt;científico, econômico, que afinal levou Nash ao Nobel. O filme — porque&lt;br /&gt;plasticamente lhe era pedido — se deteve muito mais na matemática, porém o&lt;br /&gt;Nobel de 1994 foi de Economia, que é bem verdade utiliza a matemática, mas,&lt;br /&gt;como ciência tem um caráter muito mais marcante quando elabora teorias, como a&lt;br /&gt;de Adam Smith, teorias escritas com palavras, uma lógica expressa pela&lt;br /&gt;linguagem, nos idiomas.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt; MARGIN-LEFT: 0cm; TEXT-INDENT: 35.45pt; MARGIN-RIGHT: 0cm; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: 6.0pt"&gt;&lt;font face="Book Antiqua" size="4"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt"&gt;Qual&lt;br /&gt;era a teoria de Smith? Ele pensou numa comunidade fortalecida pelas leis de&lt;br /&gt;mercado. Isto é: o interesse pessoal, individualista, motiva as pessoas a&lt;br /&gt;empreenderem negócios que adiante irão beneficiar a sociedade como um todo, ou&lt;br /&gt;seja, a motivação egoísta trabalha em benefício da sociedade. Diz “não é&lt;br /&gt;da bondade do açougueiro e do padeiro que esperamos nosso jantar”, mas sim do&lt;br /&gt;interesse individualista que os levou a abrir esses negócios.&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt; MARGIN-LEFT: 0cm; TEXT-INDENT: 35.45pt; MARGIN-RIGHT: 0cm; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: 6.0pt"&gt;&lt;font face="Book Antiqua" size="4"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt"&gt;Mas&lt;br /&gt;como poderia se manter esse mercado se o interesse pessoal, na gana do lucro fácil&lt;br /&gt;fizesse o empresário elevar demais seus preços? A concorrência. Pela concorrência,&lt;br /&gt;ele perderia fregueses para quem vendesse o mesmo produto mais barato; pela&lt;br /&gt;concorrência ele perderia trabalhadores para quem pagasse mais, se diminuísse&lt;br /&gt;demais o salário dos seus. Esses princípios são fundamentais para que se&lt;br /&gt;entenda a obra de Nash e, assim, o próprio filme.&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt; MARGIN-LEFT: 0cm; TEXT-INDENT: 35.45pt; MARGIN-RIGHT: 0cm; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: 6.0pt"&gt;&lt;font face="Book Antiqua" size="4"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt"&gt;A&lt;br /&gt;tal idéia original de Nash que atravessa o filme de ponta a ponta é a teoria&lt;br /&gt;dos jogos, uma aplicação da lógica em nossos processos de escolhas. No jogo&lt;br /&gt;entre duas pessoas, uma ganha exatamente o que a outra perde. Isso dizia o&lt;br /&gt;primeiro desenvolvimento dessa “lei”, em 1944, por Neumann. Na cena do&lt;br /&gt;gabinete entre os dois velhos amigos, um deles agora o diretor, outro tentando&lt;br /&gt;voltar ao convívio humano, os dois concordam em que “na verdade, ninguém&lt;br /&gt;ganha”. Obviamente estavam falando de vida, não de economia, onde de fato&lt;br /&gt;essa lei vale.&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt; MARGIN-LEFT: 0cm; TEXT-INDENT: 35.45pt; MARGIN-RIGHT: 0cm; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: 6.0pt"&gt;&lt;font face="Book Antiqua" size="4"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt"&gt;Na&lt;br /&gt;vida, um deles crescera, outro entrara num processo mórbido, mas, permanecendo&lt;br /&gt;amigos, ninguém perdera, ninguém ganhara, a vida seguia em seu (frágil) equilíbrio.&lt;br /&gt;Nash diz à mulher na cozinha: “O que as pessoas pensam”? Diante de seu&lt;br /&gt;saber lógico, a sabedoria prática dela (que se evidencia desde a cena da&lt;br /&gt;janela na sala de aula) é inexorável: “As coisas simplesmente acontecem, a&lt;br /&gt;gente apenas lhes atribui valores”. Ou, voltando ao processo da escolha,&lt;br /&gt;escolhemos o que fazer com o que a vida nos dá. &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Esse&lt;br /&gt;é o gancho permanente do filme. As alucinações não desaparecem, ele &lt;i&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;escolhe&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;não mais lhes atribuir qualquer valor.&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt; MARGIN-LEFT: 0cm; TEXT-INDENT: 35.45pt; MARGIN-RIGHT: 0cm; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: 6.0pt"&gt;&lt;font face="Book Antiqua" size="4"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt"&gt;O&lt;br /&gt;equilíbrio de Nash, sua idéia original, é pegar a teoria de Smith e&lt;br /&gt;acrescentar que, sim, é inevitável que se tenha motivações individuais, mas&lt;br /&gt;os jogadores da vida, em suas escolhas, devem manter uma posição cooperativa,&lt;br /&gt;não-concorrente nem antagônica (e nesse ponto é esplêndida a cena do bar). A&lt;br /&gt;grande virtude do filme é fazer de um tema tão árido, algo emocionante. Se&lt;br /&gt;alguém precisa de razoes para que se ache o filme bom, isso deveria bastar.&lt;br /&gt;Porque pegar algo emocionante e emocionar pode ser arte; mas pegar algo sem&lt;br /&gt;nenhum apelo e emocionar ainda mais, isso é obra-prima. &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt; MARGIN-LEFT: 0cm; TEXT-INDENT: 35.45pt; MARGIN-RIGHT: 0cm; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: 6.0pt"&gt;&lt;font face="Book Antiqua" size="4"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;E&lt;br /&gt;como faz isso? Em primeiro lugar, é claro, com o diretor Howard e os atores.&lt;br /&gt;Sobre estes, muito tem se falado sobre Russel Crowe mas quase nada sobre&lt;br /&gt;Jennifer Connely e, quase sempre, opiniões pouco elogiosas, e nadinha sobre Ed&lt;br /&gt;Harris e Christopher Plummer. Especialmente acredita-se que o papel de Jennifer&lt;br /&gt;“não é difícil”, que “não tem nada de mais”. Ora, mas é exatamente&lt;br /&gt;esta a grandeza deles! Quem deve brilhar é Crowe, quem deve passar tudo para o&lt;br /&gt;público é o astro. Mas jamais o faria sem esses contrapontos. Jennifer está&lt;br /&gt;especialmente brilhante! Em nenhum momento “rouba” a cena, simplesmente&lt;br /&gt;porque essa não era sua função. Mas, quando aparece, é decisiva para&lt;br /&gt;“roubar” a cena &lt;i&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;para Crowe&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;. &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt; MARGIN-LEFT: 0cm; TEXT-INDENT: 35.45pt; MARGIN-RIGHT: 0cm; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: 6.0pt"&gt;&lt;font face="Book Antiqua" size="4"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt"&gt;E&lt;br /&gt;a música? A música “comenta” as cenas de modo semelhante. Também aqui,&lt;br /&gt;dificilmente se perceberia a qualidade das cenas, se não fora a trilha sonora.&lt;br /&gt;A fotografia igualmente (as árvores do campus, por exemplo, e as folhas caídas),&lt;br /&gt;enfim, tudo atua no sentido de fazer de “Uma mente brilhante” não, como já&lt;br /&gt;se disse, um “documentário”, até porque já se falou que há omissões no&lt;br /&gt;roteiro quando relacionado à vida do cientista. Mas, diante do que se propõe,&lt;br /&gt;é um filme que cumpre seu papel.&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="MARGIN-BOTTOM: 6pt; MARGIN-LEFT: 0cm; TEXT-INDENT: 35.45pt; MARGIN-RIGHT: 0cm; TEXT-ALIGN: justify; mso-margin-top-alt: 6.0pt"&gt;&lt;font face="Book Antiqua" size="4"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt"&gt;No&lt;br /&gt;meu caso pessoal, saí do cinema cheio de idéias para minhas próprias&lt;br /&gt;escolhas. E que mais poderia desejar um filme do que isso, do que inspirar as&lt;br /&gt;pessoas à vida?&amp;nbsp;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/body&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/html&gt;&lt;br /&gt;El cuerpo se dobla &lt;br /&gt;y el hígado chorrea.&lt;br /&gt;El corcho que un clavo&lt;br /&gt;cruzó.&lt;br /&gt;Peso lo que pesa el metal&lt;br /&gt;Vivo&lt;br /&gt;Pase alguien la mano por aquí.&lt;br /&gt;Nubecitas&lt;br /&gt;dibuja&lt;br /&gt;la pelusa del agua.&lt;br /&gt;La Risa Casual de un Clavo:&lt;br /&gt;eso vivo.&lt;br /&gt;Selva Pascale&lt;br /&gt;_____________________________________________&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3082313-11029166?l=rocharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://rocharias.blogspot.com/2002_03_01_archive.html#11029166</link><author>noreply@blogger.com (Ricardo)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3082313.post-8709919</guid><pubDate>Tue, 15 Jan 2002 11:45:00 +0000</pubDate><atom:updated>2002-01-15T03:45:51.210-08:00</atom:updated><title></title><description>E, depois de tanto tempo de gestação, a nova  Lei de Drogas, que já não era a oitava maravilha do mundo em sua íntegra (mas estava pelo menos cheia de boas intenções), nasce mutilada. Ora, se é para se governar por medida provisória, não é melhor restabelecer a monarquia? Pelo menos Dom Joãozinho estaria mais à vontade para governar assim.  Estamos diante de uma questão óbvia. O modelo repressivo não resolve rigorosamente nada em termos de qualquer dos aspectos: não diminui a oferta, que só aumenta, e com ela o crime; não alivia a barra do usuário, que, mais que o sofrimento do próprio vício (porque a droga seria pra dar prazer, pra leva-lo a lugares bons, a dar conforto — já o vício, como qualquer escravidão, é sofrimento), esse normalmente não violento cidadão vai aprender a ser revoltado e violento na cadeia (se não tiver as costas quentes que o livrem, o que, aliás, é outro problema do atual modelo); e não ajuda nada para diminuir a demanda efetiva, isto é, aqueles que já são inexoravelmente viciados, mais que meros usuários, e, como qualquer pessoa adoentada, precisa de tratamento. Não há verba? Mas a verba da repressão existe, e não é um custo pequeno, com certeza, social inclusive. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, a questão: Se um empresário implementa uma política em sua empresa e não dá certo e ele está tendo prejuízo, pára imediatamente e muda o rumo; se o Estado (a Argentina é o exemplo da vez) adotou uma política que não deu certo, irá (nem que seja na marra, como lá) mudar. Por que então não se muda o modelo de repressão ao tráfico e consumo de drogas, que não apenas está, hoje, falido, mas que, ao contrário de algumas políticas empresariais ou estatais, que começam bem e depois desandam, mas jamais deu resultado? (que o Big Brother não nos ouça, veja pela internet, no caso — nem a médicos, ex-ministros, prêmios Nobel, que unânimes pregam contra esse modelo e por um alternativo).  A resposta, tão clara que é impossível que não se enxergue, é que é um modelo que não dá certo PARA ESTE FIM, mas dá certíssimo aos fins paralelos: beneficiar a gente envolvida, como traficantes e pessoas em geral ligadas a estes, seja no mercado financeiro ou nas próprias forças de repressão. Hoje, num modelo sócio-econômico igualmente falido, que deveria diminuir o Estado para que funcionasse em setores,  há séculos até Adam Smith já pregava,  onde realmente se faz necessário, como Saúde, Educação, etc é melhor estar do lado de quem dê essa assistência, e, se o Estado não dá, abre caminho para que alguém o faça, e cobre o seu preço por isso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, a questão, a triste questão, é que o Estado democrático, hoje, é o primeiro a quebrar o estado de Direito, pelo qual tantos lutaram e muitos, dentro do próprio Governo, incluindo o presidente, se orgulham de ter estabelecido, com o fim da ditadura. Quebra ao governar por medida provisória, quebra ao manter uma abordagem de combate às drogas que fere o Direito Privado da soberania da pessoa, quebra ao desrespeitar a própria Constituição — todos são iguais perante a Lei, o que definitivamente não é o caso com o atual modelo. A triste questão é que somos tetra Lula no segundo turno, o que vale dizer, seremos de novo algum outro nome, porque termina-se naquele dilema cruel: é melhor ruim como está do que se o PT assumir, aí é que ninguém segura a “juventude” (CUT e afins) do Brasil. Enquanto isso, na Holanda, existe droga, mas não existe o crime relacionado à droga; na Suíça trata-se viciados em Hospitais Públicos, exatamente como quem está com câncer ou Aids; em Portugal, quem diria, quem é pego com haxixe é punido — com multa ou serviço comunitário, como quem comete uma infração de trânsito.  Na Inglaterra,  há uma forte tendência nesses sentidos (e a opinião pública favorável no caso do filho do Príncipe deve dar ainda mais impulso a ver o dependente como doente, não criminoso). Etc. Etc. Etc. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão, simples, é: não dá para acabar com o consumo de drogas, que existe desde que o mundo é mundo. Mas dá pra conviver com ele de formas mais sensatas, sensíveis e, por que não?, inteligentes.                &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3082313-8709919?l=rocharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://rocharias.blogspot.com/2002_01_01_archive.html#8709919</link><author>noreply@blogger.com (Ricardo)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3082313.post-6483323</guid><pubDate>Sat, 20 Oct 2001 16:24:00 +0000</pubDate><atom:updated>2001-10-20T14:07:01.000-07:00</atom:updated><title></title><description>Então tá... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Talibã retirou todos seus homens das proximidades dos escritórios da FAO e da Unicef em solo afegão, depois que os americanos bombardearam os prédios da ONU e da Cruz Vermelha em &lt;a href="http://www.no.com.br/servlets/newstorm.notitia.apresentacao.ServletDeSecao?codigoDaSecao=7&amp;dataDoJornal=atual"&gt;Cabul&lt;/a&gt;, Cabul,. Cabul... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fala sério, é triste a banalização da vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;If GOD...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se &lt;a href="http://www.netstore.de/~god/"&gt;&lt;i&gt;DEUS&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; não atualiza a página dele desde 1996, por que você deveria achar que uns mesezinhos seriam assim tanto, Cláudia? ... &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3082313-6483323?l=rocharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://rocharias.blogspot.com/2001_10_01_archive.html#6483323</link><author>noreply@blogger.com (Ricardo)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3082313.post-6453206</guid><pubDate>Fri, 19 Oct 2001 05:54:00 +0000</pubDate><atom:updated>2001-10-18T22:54:33.360-07:00</atom:updated><title></title><description>Hamdi Doganguzel deixou o Afeganistão no início do ano, quando a guerra sangrenta entre o Talibã e a Aliança do Norte chegou a sua cidade, Taloqan. Para o governo inglês, ele é um refugiado. Mas esse ex-marceneiro e ex-soldado não sabe mais o que é. Está perdido numa cidade grande onde se fala uma língua estranha e as mulheres podem andar sem véu. E desde o dia 11 de setembro, seu mundo ficou ainda mais complicado. A vizinhança parou de cumprimentá-lo. No restaurante onde trabalha como lavador de pratos passou a ser hostilizado pelos outros funcionários. E há três semanas foi agredido na rua por adolescentes bêbados – desde então, deixa o turbante branco e dourado em casa. A ilha onde ele queria aprender o que é a liberdade individual se transformou em um novo pesadelo em poucos dias. (in no.com.br/10-19)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3082313-6453206?l=rocharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://rocharias.blogspot.com/2001_10_01_archive.html#6453206</link><author>noreply@blogger.com (Ricardo)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3082313.post-5035126</guid><pubDate>Sat, 11 Aug 2001 18:14:00 +0000</pubDate><atom:updated>2001-08-11T11:14:24.290-07:00</atom:updated><title></title><description>&lt;i&gt;&lt;i&gt;So now as I m leavin I m weary as hell - words fill my head n fall &lt;/i&gt;&lt;/i&gt;:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bauh.blogspot.com"&gt;ta the floor&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3082313-5035126?l=rocharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://rocharias.blogspot.com/2001_08_01_archive.html#5035126</link><author>noreply@blogger.com (Ricardo)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3082313.post-4992709</guid><pubDate>Thu, 09 Aug 2001 08:25:00 +0000</pubDate><atom:updated>2001-08-09T01:25:31.543-07:00</atom:updated><title></title><description>&lt;a href="http://bauh.blogspot.com"&gt;Coisas_do_baú&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://rocharicr.blogspot.com"&gt;about&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.metafilter.com"&gt;links_communitades&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3082313-4992709?l=rocharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://rocharias.blogspot.com/2001_08_01_archive.html#4992709</link><author>noreply@blogger.com (Ricardo)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3082313.post-4962415</guid><pubDate>Tue, 07 Aug 2001 20:18:00 +0000</pubDate><atom:updated>2001-08-07T13:18:53.556-07:00</atom:updated><title></title><description>&lt;b&gt;Eu &lt;/b&gt;disse que voltaria; e tenho novidades. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem,  tenho uma coisa importante a dizer a vocês, meus cinco fiéis leitores (mais do que mereço). Meu avô, que morreu a mais de trinta anos e nasceu na década passada, deixou-me como legado uma grande lição: não importa o quanto você esteja triste, angustiado, desanimado, tudo muda, ou se não muda torna-se suportável, com uma simples mudança de postura perante a situação.  Quero dizer: mudança de postura mesmo, física. Andar ereto, um semblante sereno, etc. É impressionante como, tornando-se hábito, isso se torna também quase que um reflexo de uma verdadeira altivez, de uma verdadeira serenidade. Tentem e comprovem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas estou dizendo isso porque, em meio a muitos problemas, alguns deles bem graves, resolvi, ao voltar de viagem,  fazer alguma coisa nova, que marcasse a volta (e isso com o comportamento físico que mencionei, apesar de estar um tanto triste - o que é normal, depressão é mórbida). E fui estrear o chamado TpiP, a Internet Pública. O interessante é que não consegui, não deu, mas a ida e a vinda em liberdade plena me deram um monte de idéias, de ânimos. Especificamente em termos de internet, pensei em tantos links legais que todos agora poderão usufruir. Não é claro com a Internet Pública - ainda é caro, um cartão de telefone para doze minutos; mas pelo menos o micro popular da caixa e os 486 que podem ser turbinados e outras tantas alternativas que vão aparecendo, porque afinal não vivemos num país que qualquer um possa se dar ao luxo de comprar assim sem mais PCs de mais de 2.000 reais.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então vamos ao que interessa: O que exatamente poderiam esse pessoal novo usufruir. A pesquisa, eu acho, ainda é, de longe, a grande força da Internet. E, ainda bem, está sendo tratada, depois da crise do Vale (aquela que faliu meia-dúzia de yuppies arrogantes). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, quando se fala de pesquisa, o &lt;A href="http://www.google.com"&gt;Google&lt;/A&gt;ainda é imbatível. Isso por uma infinidade de razões, mas dentre as quais a alta funcionalidade. Ninguém dá nada por aquela página de abertura, ao contrário do que rezava a tradição, "sem atrativos", mas carregando em milionésimos de segundos. De quebra, há uma barra que se instala no Internet Explorer (versão superior à 5) &lt;A  href="http://www.google.com/options/toolbar.html"&gt;aqui&lt;/A&gt;. Dentre outras coisas, permite uma pesquisa precisa, personalizada. Um maná. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é preciso saber aquele básico: Duas palavras, pelo menos, para refinar a pesquisa e, sempre que possível, duas palavras juntas, que serão postas com parêntesis. Cinema "John Ford", por exemplo. Na verdade, quanto mais palavras, mais refinada a pesquisa; mas também corre-se o risco de perder algum site que esteja dentro dos interesses e não possua uma delas em seus textos. A barrinha é uma mão na roda também por pesquisar dentro de um site em que se esteja. Mas os bons sites, em geral, têm sua própria ferramenta de pesquisa.  O IMDB, por exemplo.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gente tem me perguntado acerca de onde descolo aqueles filmes. Bem, já vou pra locadora sabendo o que quero, e isso graças ao&lt;br /&gt; &lt;A href="http://www.imdb.com"&gt;InternetMovieDataBase&lt;/A&gt;.  O fato de ser em inglês não atrapalha nada quem não domine o idioma (como eu mesmo, que só engano com um inglês da Rua Augusta de Lisboa ;), pois são informações quase que totalmente visuais e, nesse sentido, o site, além de supercompleto, e tremendamente intuitivo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se trata do que ninguém resiste mesmo, a coisa se torna delicada. Site sensuais legais existem muitos, mas por uma ou outra razão se associam a outros que já vão além, para a pornografia e/ou grosseria. Outros beiram a pedofilia, na maior. Então, se a gente recomenda um link,  lá na frente pode se arrepender porque, no tal site, existem links para outros sites que pegam pesado. O  &lt;A href="http://www.morango.com.br"&gt;Morango&lt;/A&gt; tem uma tradição de manter  a linha,  junto com as fotos sensuais. O &lt;A href="http://www.thegirl.com.br"&gt;TheGirl&lt;/A&gt; idem. Mas, infelizmente, a escolha de modelos profissionais, que primam pela magreza e pose, não os torna meus favoritos. Tem quem goste.            &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falar em substância, o conteúdo, que agora é sinônino de Notícia, Opinião, etc., é o forte do...  &lt;A href="http://www.no.com.br"&gt;Notícia_e_Opinião&lt;/A&gt;. Os cronistas  são quase unanimidade e o feedback (retorno) quando você envia um email  falha - de resto, isso, de não responder emails, na rede,  é um boato de vírus ao inverso (deixa mais vazias do que deveriam as caixas de entrada), mal dos novos e apressados tempos. Mas, no que diz respeito à Notícia e Opinião propriamente ditos, é, de longe, o melhor site do Brasil. A Pesquisa na Biblioteca de Downloads é prejudicada por não estarem ativados os comandos de edicao do &lt;A href="http://"www.adobe.com.br&gt;Acrobat&lt;/A&gt;. É que nem proibir copiar imagem. Fala sério, gente, em era de MP3 a maior garantia da propriedade intelectual não é tecnológica, é intelectual mesmo. Se direito autoral dependesse desse tipo de proteção, tava todo mundo perdido... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns  cronistas do NO usam o método "weblog" de estar na Internet, quero dizer, dos Blogs originais, isto é, noticiam linkando para a notícia ou opinião ou imagem em questão. Nese sentido, na área de blogs, não há nada que se compare ao &lt;A href="http://www.metafilter.com"&gt;Metafilter&lt;/A&gt;, que aliás dá plena liberdade de feedbacks e comentários aos comentários. É em inglês, e, infezlimente, entre nós, os blogs estão trancados entre meia-dúzia de blogueiros (ou talvez uma dúzia, ou cem, o que está em questão é o espírito, nao o numero absoluto) sabe-se lá, o fato é que não é realmente aberto. Entre eles, se é para ser um tipo de Diário, e, como dizem, é questão de estilo, bem, então eu fico com o &lt;A href="http://certascoisas.blogspot.com/"&gt;CertasCoisas&lt;/A&gt;, &lt;br /&gt;&lt;A href="http://nell.blogspot.com"&gt;Vestígios_doDia&lt;/A&gt;,  &lt;A href="http://http://faisca_atrasada.blogspot.com/"&gt;FaiscaAtrasada&lt;/A&gt;, e por aí. Mas é preciso citar sempre, independente do idioma, o "time" do &lt;A href="http://http://www.scripting.com/"&gt;Script.News&lt;/A&gt; e a   &lt;A href="http://andrea.editthispage.com/"&gt;Andrea&lt;/A&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além é claro da  &lt;A href="http://www.liacaldas.com/"&gt;Lia&lt;/A&gt;, a quem simplesmente devo tudo (o tudo-pouco, of course) que sei de HTML.&lt;br /&gt;        &lt;br /&gt;Bem, preciso descansar um pouco, to indo. Mas deixo  &lt;A href="http://predilectos.blogspot.com/"&gt;aqui&lt;/A&gt; de presente (de Grego?...:) os primeiro 50 links de meus próprios favoritos.  &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3082313-4962415?l=rocharias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://rocharias.blogspot.com/2001_08_01_archive.html#4962415</link><author>noreply@blogger.com (Ricardo)</author></item></channel></rss>